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Distúrbios alimentares: jovens do sexo feminino mais vulneráveis
quinta-feira, 11 abril 2013 09:45

artigo mulher 5c996Dados epidemiológicos indicam que as jovens são o grupo mais vulnerável aos distúrbios alimentares. A anorexia nervosa, a bulimia nervosa e a perturbação de ingestão compulsiva, são um produto das sociedades industrializadas e têm uma incidência cada vez mais alarmante.


"A diferença de incidência de género diz respeito não só
à biologia do corpo feminino, mas também à pressão social e cultural dirigida principalmente às raparigas e mulheres, no que respeita ao controlo do corpo, ao poder da imagem corporal e à aceitação social associada a um corpo magro", explica Dulce Bouça, psiquiatra e psicoterapeuta na consulta de Doenças do Comportamento Alimentar no Hospital de Santa Maria.


Baixa autoestima e autoconfiança, preocupação obsessiva com o desempenho e rigidez na aceitação das fragilidades e da frustração, assim como uma excessiva dependência da opinião dos outros do autoconceito e uma marcada dificuldade nas relações interpessoais com desconfiança e medo da rejeição são alguns dos fatores psicológicos que a psiquiatra aponta como estando na génese dos distúrbios do comportamento alimentar.


Na ótica desta médica, a atuação dos cuidados de saúde primários perante as doenças do comportamento alimentar deve envolver a "aceitação das dificuldades do paciente, ética na abordagem do problema, firmeza flexível na sugestão de um tratamento, articulação com a Psiquiatria para a confirmação ou infirmação do diagnóstico e articulação interdisciplinar para a condução do tratamento, introduzindo sempre a família no processo terapêutico".

 

Tratamento diferenciado

O tratamento dos distúrbios do comportamento alimentar engloba:


• A avaliação somática da situação física e metabólica do paciente; a avaliação psicológica do doente e da família;
• Um plano de reabilitação nutricional negociado com o doente e apresentado à família;
• O acompanhamento psicológico que permita e acompanhe o processo de recuperação ponderal;
• A introdução da família no processo de recuperação ponderal e de saudáveis hábitos alimentares;
• A eventual medicação psicotrópica para as situações com patologia psíquica associada, particularmente na bulimia nervosa e na perturbação de ingestão compulsiva;
• Uma articulação permanente entre as diferentes intervenções, médica, psicológica e nutricional.

 

Foto: freedigitalphotos.net

 

 

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