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Saúde
Mortes por AVC diminuem 39% entre 2011 e 2015
segunda-feira, 02 outubro 2017 15:50
De acordo com o Relatório do Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares 2017, apresentado na sexta-feira, dia 29 de setembro, em Lisboa, a continuada adoção de medidas estratégicas preventivas e a melhoria dos diagnósticos, nas áreas do enfarte agudo do miocárdio e do acidente vascular cerebral (AVC) permitiram atingir, em 2015, uma proporção de óbitos de doenças cardiovasculares de 29,7%, um dos melhores valores das últimas décadas. Veja a galeria de fotografias do evento.

 

No entanto, o grande destaque vai para a redução das mortes por AVC, que em 2015 matou 6.853 pessoas, menos 1.440 que em 2013. “É impressionante a redução que se conseguiu. Atribuo-a muito à introdução de um conjunto de novos fármacos, os anticoagulantes. Os grandes benefícios nos últimos dois anos estão relacionados com isso”, revela Rui Ferreira, diretor do Programa Nacional, explicando que esta nova classe de medicamentos permitiu prevenir a ocorrência de AVC. “É o espelho da prevenção, que nos mostra como é importante agir antecipadamente e de uma forma integrada”, reforça.

 

Os resultados conseguidos no AVC fizeram descer a mortalidade nas doenças cérebro-vasculares, que, em 2015, mataram 11.271 pessoas.

 

Já a doença isquémica do coração, na qual se inclui o enfarte, foi responsável nesse ano por 6.853 óbitos. Mas nesta área há um dado que surpreende pela negativa. “Há uma menor redução da mortalidade por doença isquémica cardíaca, com um dado dissonante que é a mortalidade abaixo dos 70 anos, que me surpreendeu por até haver um agravamento”, salienta o responsável, que não consegue explicar para já este resultado.

 

A eficácia das Vias Verdes Coronária e do AVC também melhorou. No AVC, a janela de intervenção para um tratamento mais eficaz e para reduzir a mortalidade e morbilidade é de quatro horas e meia. “Uma coisa é ter um diagnóstico feito antes e ter tudo pronto para quando o doente chega ao hospital e entrar rapidamente dentro do esquema. Outra, é o doente ir ele próprio para a urgência. Mesmo que seja triado de forma prioritária, vai perder tempo antes de ser identificada a situação e corretamente encaminhado. Muitas vezes, perde-se a janela terapêutica. Só se conseguem esses tempos com o acionamento das Vias Verdes”, diz Rui Ferreira.

 

A prevenção continua a ser a tónica para a redução da mortalidade e uma das metas para 2020 é a diminuição do consumo de sal entre os 3 % e os 4 % ao ano, reconhecendo-se que este objetivo “assume extrema importância” na prevenção das doenças cardiovasculares.

 

Governo aposta na melhoria da qualidade de vida dos doentes

 

Com o objetivo de reduzir a mortalidade, internamentos e melhorar a qualidade de vida de pessoas que sofreram enfartes ou outras doenças coronárias, o Governo vai apostar num Programa Nacional de Reabilitação Cardíaca.

 

Em Portugal, apenas 8% dos doentes com enfarte do miocárdio têm acesso a este tipo de reabilitação e a meta que se pretende atingir é a dos 30 % até 2020, tentando aproximar o país da taxa média de participação europeia, que já é superior aos 30 %.

 

O despacho que cria o grupo de trabalho que vai definir os critérios para este programa nacional e que vai acompanhar os projetos-piloto foi publicado em Diário da República, esta sexta-feira, data em que se assinalou o Dia Mundial do Coração.

 

No despacho, o Governo reconhece que os programas de reabilitação cardíaca reduzem a mortalidade e as hospitalizações, melhoram a qualidade de vida e o retorno ao trabalho. Ao mesmo tempo, reduzem o risco de novas situações cardiovasculares, o que não acontece com os doentes que não têm acesso a esta intervenção.

 

Por isso, “considera-se relevante a definição de programas de reabilitação cardíaca e a sua implementação a nível nacional, de forma faseada, através do desenvolvimento de projetos-piloto, do seu acompanhamento e avaliação”, refere o diploma.

 

Fonte: SNS

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