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Saúde
“Disléxicos como Nós”: cerca de 10% da população mundial sofre de dislexia
segunda, 09 outubro 2017 12:41
No âmbito do Dia Mundial da Dislexia, que se assinala amanhã, 10 de outubro, a Associação Portuguesa de Dislexia (Dislex) lança uma campanha de sensibilização com o objetivo de derrubar ideias erradas e preconcebidas que existem em torno desta disfunção neurológica. No fundo, todos nós a dado momento já experimentámos situações durante as quais afirmámos “estou disléxico hoje”. Daí a campanha se designar “Disléxicos como Nós”.  

 

A campanha pública reúne caras mundialmente conhecidas que se destacaram na comunidade e que evidenciam o lado positivo da dislexia, nomeadamente Einstein, Picasso, Da Vinci, Agatha Christie, Van Gogh, Churchill e Spielberg. Engloba também três vídeos que refletem os vários cenários deste problema em contexto real e cartazes de sensibilização que serão divulgados nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais. Também o site da Dislex será totalmente remodelado com informação relevante e de apoio a todos os que quiserem saber mais sobre a dislexia.

 

Mas como se define a dislexia? Tal como explica Helena Serra, presidente da Dislex, a dislexia “é uma perturbação de aprendizagem específica que se manifesta, sobretudo, em crianças normalmente inteligentes ou com inteligência acima da média, como défice em leitura (dislexia), défice em escrita (disortografia) ou défice em matemática (discalculia), de forma concomitante ou não”. Em muitos casos, esta disfunção neurológica é “transmitida hereditariamente”, havendo “diferentes graus de gravidade desta perturbação”. Não tendo uma cura, “o seu impacto pode ser atenuado e as dificuldades podem ser em grande medida contornadas”.

 

Relativamente aos sinais e sintomas que as crianças com dislexia começam a apresentar, a presidente da Dislex refere que “pressupondo que as crianças, nos seus contextos educativo e familiar, recebem as necessárias estimulações, percebe-se nos quotidianos que não atingem, em certas realizações, o nível mínimo esperado para a idade”. Por exemplo, a criança articula os sons da fala de forma imprópria, a sua linguagem espontânea é pobre e persiste a dificuldade em pronunciar algumas palavras. Para além disso, pode revelar-se continuamente confusa no reconhecimento de cores ou das noções de tempo e de espaço, como direita-esquerda.

 

Contudo, conforme explica Helena Serra, "só se pode referir a dislexia ao período da aprendizagem da leitura”, no 1.º ano de escolaridade. Nesta fase de iniciação à leitura e escrita, “surgem alterações inesperadas na forma como a criança processa os símbolos que compõem as palavras. Serve de exemplo a troca de letras de som próximo (f-v, c-g, ch-j, t-d) ou de formato equivalente (d-b, p-q, u-n); também a leitura ou escrita de letras e palavras em espelho (sol-los, eva-ave), ou a escrita com erros ortográficos típicos (pergo-prego, toma-mato), ou mesmo de números ou formas (28-82, 135-351 ou 531, tomar o sinal + por x)”.

 

Nos anos seguintes, os erros de escrita persistem, sendo impróprios para a idade e ano escolar. “A estrutura das frases e textos é inadequada, o automatismo em leitura não é conseguido, nem a compreensão das perguntas ou textos acabados de ler”, afirma a presidente da Dislex. Mais adiante, mesmo no ensino secundário ou superior, ainda que a velocidade e precisão em leitura tenham sido alcançadas, “necessitam de ler várias vezes para retirar a informação dos textos, podem não conseguir uma escrita espontânea correta, enriquecida, sem erros ortográficos, com respeito pelas regras da acentuação e pontuação”. Por vezes as dificuldades revelam-se sobretudo na articulação das ideias, na análise e síntese ou em acompanhar a explanação oral dos professores na aula. A atenção só é possível por períodos curtos e a memória de trabalho está muitas vezes diminuída, bem como a perceção do tempo e do espaço. Como consequência, “o esforço para a obtenção dos resultados desejados é muito superior e o desgaste e a pressão que isso causa são desmedidos”. A dislexia impacta particularmente as crianças, que são alvo de rótulos ao longo do seu percurso escolar, sendo consideradas menos inteligentes que os colegas.

 

O diagnóstico da dislexia é realizado através da aplicação de testes formais e informais, executados por especialistas. Helena Serra realça que “é importante que o diagnóstico seja efetuado por uma equipa multiprofissional, agindo de forma complementar, constituída por psicólogos, professores especializados, terapeutas, entre outros profissionais. A colaboração de neurologistas é naturalmente importante. Deve ser efetuado até aos 7-8 anos. Contudo, há quem descubra a sua dislexia só na fase adulta”.

 

Portugal dispõe de alguns apoios para ajudar as pessoas a contornar o problema da dislexia. No plano das instituições de saúde, nos hospitais com centros de desenvolvimento existem especialistas para diagnóstico e acompanhamento específico. Nas escolas, os alunos com dislexia são considerados alunos com necessidades educativas especiais, abrangidos pela legislação que prevê a diferenciação pedagógica, daí que, segundo Helena Serra, devam ser “atempadamente referenciados e avaliados por profissionais especializados, beneficiando de um programa educativo individual onde se preveem as medidas pedagógicas e adequações que no seu caso forem indicadas”. A presidente da Dislex avança ainda que “particularmente, as famílias dispõem de “n” instituições que dirigem a sua atividade para esta área (gabinetes ou centros de apoio educativo, clínicas de educação, etc.), bem como de associações que assumem como missão cuidar das crianças e jovens disléxicos, como é o caso da Dislex, com ação de âmbito nacional”.

 

A dislexia afeta 600 milhões em todo o mundo, o que representa 10% da população mundial. Sendo uma disfunção tão comum, a campanha “Disléxicos como Nós” pretende alertar para a importância da formação inicial e contínua de todos os professores, bem como de serem colocados em todos os agrupamentos escolares do país os meios adequados para uma intervenção atempada, competente e eficaz. Por fim, esta campanha visa ainda, ao nível da política educativa, alertar para a urgência do investimento precoce na educação diferenciada das pessoas com dislexia. Com métodos de ensino apropriados e direcionados, a dislexia pode ser contornada.

 

Helena Serra Dislex fb260 Helena Serra, presidente da Dislex 

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