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Grávidas têm maior risco de tromboembolismo venoso
quinta-feira, 18 abril 2013 11:46

artigo 113012 6dd6dA gravidez é por si só um estado pró-trombótico, para o qual contribuem o aumento dos fatores de coagulação (como o fibrinogénio), a redução dos anticoagulantes naturais e a supressão da fibrinólise. Desta forma, "a tríade de Virchow está presente na gravidez através deste estado de hipercoagulabilidade, da estase venosa e da lesão vascular", explica Jorge Lima, ginecologista/obstetra do Hospital Cuf Descobertas.


A prática obstétrica assenta, portanto, na balança em que pesam, num dos pratos, as propriedades pró-trombóticas e, no outro, as propriedades antitrombóticas. "Sempre que há um desequilíbrio, a grávida está em risco trombótico ou hemorrágico", sublinha o especialista.


Em mulheres saudáveis, o organismo encarrega-se de equilibrar os dois pratos da balança, todavia, naquelas que apresentam fatores de risco adicionais, tais como a idade materna mais avançada (superior a 35 anos), a obesidade, a existência de insuficiência venosa dos membros inferiores, a multiparidade, a desidratação, a imobilização, a existência de trombofilias, entre outros, há um risco mais elevado de tromboembolismo venoso (TEV), manifestado, geralmente, na forma de trombose venosa profunda ou de embolismo pulmonar.
Para avaliar o risco individual de cada grávida, Jorge Lima explica que existem scores específicos que ajudam a identificar as mulheres com risco baixo, moderado ou alto. Esses scores estão validados pelas principais recomendações internacionais (Royal College of Obstetricians and Gynaecologists e American College of Chest Physicians), seguidas na prática ginecológica/obstétrica.


Na perspetiva do especialista, e segundo ditam as recomendações, idealmente, a mulher deve ser avaliada, numa consulta pré-conceção, para que sejam identificados, desde o início, os potenciais fatores de risco tromboembólico.
Havendo, à partida, um elevado risco de TEV, "então devem ser implementadas medidas profiláticas para evitar a ocorrência de fenómenos tromboembólicos no período de gestação, no parto e no puerpério", alertou Jorge Lima.


No entanto, a avaliação deve ser repetida durante a gravidez, no parto e puerpério, até porque, mesmo em mulheres que apresentavam, inicialmente, baixo risco de TEV, podem surgir complicações que justifiquem a instituição de profilaxia.


Dentro das possíveis complicações, o especialista aponta a necessidade de uma intervenção cirúrgica, a hiperémese gravídica, a síndrome de hiperestimulação ovárica, a gravidez múltipla, as infeções graves, a imobilidade, a pré-eclampsia, o internamento prolongado, a hemorragia pós-parto com necessidade de transfusão sanguínea, os partos complicados, a cesariana, a imobilidade pós-parto ou até uma viagem de longa duração.

 

Texto original publicado no Jornal de Congresso Simpósio Internacional de Trombose e Hemostase, 11 e 12 de abril 2013

 

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