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Saúde
Há mais portugueses a ler os rótulos alimentares mas quase metade não percebe a informação
sexta-feira, 20 outubro 2017 12:40
Um estudo divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), no âmbito do Dia Mundial da Alimentação, concluiu que a maioria dos portugueses lê os rótulos dos alimentos: 42% fazem-no de forma regular e 17% referem que o fazem sempre. No entanto 40% dos inquiridos revelaram não compreender realmente a informação nutricional básica que lhes permitisse fazer escolhas alimentares mais saudáveis.

 

O estudo “Atitudes dos consumidores portugueses face à rotulagem alimentar” do Instituto Português de Administração de Marketing (IPMA) foi realizado com a colaboração de uma investigadora da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, para a Direção Geral de Saúde (DGS). O objetivo foi estudar as atitudes dos consumidores portugueses face à rotulagem alimentar. O principal ponto positivo é o facto de mais de metade dos inquiridos ter dito consultar os rótulos no sentido de escolher produtos saudáveis. Apesar disto, o estudo revela também que muitas vezes (40%), o público não consegue descodificar a informação. 

 

Relativamente à ocasião em que consultam os rótulos alimentares, o estudo do IPAM demonstrou que a maioria dos inquiridos o faz apenas no momento de compra (51,3%). Por outro lado, os consumidores portugueses atribuem uma elevada importância ao uso de rótulos alimentares em quase todo o tipo de produtos, salientando-se os alimentos para crianças, cereais de pequeno-almoço e refeições pré-embaladas.

 

O estudo conclui também que há uma relação “estatisticamente significativa” entre as habilitações escolares e o conhecimento objetivo dos rótulos, sendo esse conhecimento mais elevado quando os consumidores têm qualificações superiores. Uma das barreiras identificadas tem que ver com os baixos níveis de literacia da população portuguesa, que antecipam “dificuldade de compreensão da informação nutricional”, refere o estudo.

 

Uma solução mais apelativa

Em declarações à agência Lusa, o diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, Pedro Graça, considera que a análise veio validar a necessidade de mudar a forma de apresentar os rótulos para sistemas visualmente apelativos e que “não impliquem cálculos e recálculos por parte dos cidadãos”. Ou seja, um sistema que permita uma rápida descodificação dos rótulos dos alimentos, para “facilitar tomadas de decisão” por parte dos consumidores.

 

Para o efeito, a DGS lançou uma proposta online de descodificação de rótulos com base num sistema dividido em três cores: vermelho, amarelo e verde. A ideia é que os consumidores optem maioritariamente por alimentos e bebidas com nutrientes da categoria verde e evitem os da categoria vermelha. As cores são distribuídas de acordo com os teores de gordura, açúcares e sal.

 

«É preciso adotar um sistema que funcione como descodificador de rótulos. O ideal é que um país chegue a um consenso sobre um determinado modelo para que as empresas depois o adotem. O modelo deve ser sempre o mesmo e uniforme». Hoje em dia, é necessário «fazer muitas escolhas de alimentos num curto espaço de tempo», o que torna a leitura dos rótulos «mais importante, para tomar melhores decisões», salienta Pedro Graça.

 

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