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Saúde
Doentes oncológicos sentem que têm acesso dificultado aos tratamentos mais avançados
quinta-feira, 26 outubro 2017 13:44
O inquérito “Cuidados de Saúde em Oncologia: a visão dos doentes”, promovido pela Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), conclui que os portugueses consideram que têm acesso dificultado aos tratamentos mais avançados, porque o sistema desvaloriza o impacto destes na qualidade de vida do doente. O inquérito teve como objetivo analisar a perceção dos doentes e sobreviventes de doença oncológica sobre os cuidados de saúde em Oncologia. As conclusões serão discutidas amanhã, 27 de outubro, no Congresso Nacional de Oncologia, que está a decorrer em Aveiro. 

 

O inquérito de perceções desenvolvido pela SPO mostra que 63% dos inquiridos concorda que existe a ideia, entre a população portuguesa, que os doentes oncológicos não têm acesso aos tratamentos mais avançados, porque estes são percecionados como demasiados caros tendo em conta o impacto na sobrevida do doente.

 

Ainda assim, o impacto financeiro é apresentado como a menor das preocupações de um doente oncológico. Dos inquiridos, apenas 2% apontam o impacto financeiro como principal preocupação em relação à doença. 60% dos inquiridos concordam ainda que em Portugal existem demasiadas assimetrias regionais no que diz respeito à prevenção e tratamento do cancro e 59% concordam que em Portugal falta implementar um programa de rastreios organizados de âmbito nacional.

 

No que diz respeito ao tratamento, os doentes são unânimes: 81% afirmam que foram envolvidos nas decisões relativas ao tratamento e 68% consideram este envolvimento muito importante. A clareza da comunicação e o esclarecimento da informação são os fatores que mais valorizam numa consulta. 42% colocam a satisfação com a equipa médica como o fator que mais valorizam durante o tratamento. É por estas razões que 64% preferem falar com o médico em caso de dúvidas sobre a doença ou o tratamento.

 

“É através destes inquéritos que se torna possível ter uma perspetiva da realidade dos doentes oncológicos e disponibilizar dados nacionais que nos permitam compreender a forma como os doentes vivem a realidade da doença oncológica em Portugal, integrando a perspetiva do doente nas políticas de saúde em Portugal”, afirma Gabriela Sousa, presidente da SPO.

 

Num inquérito realizado em 2015 a profissionais de saúde ligados à Oncologia, as conclusões iam mais longe: 98% admitiam que a comunidade científica em Portugal não tem as mesmas condições financeiras para a investigação comparativamente com outros países da União Europeia; 90% afirmavam que o Governo português não faz o investimento necessário para que os doentes tenham acesso às terapêuticas mais avançadas e eficazes. Ideias que também são partilhadas por cerca de 60% dos doentes oncológicos.

 

Os dados serão apresentados e debatidos no segundo dia do Congresso, 27 de outubro, pelas 16h00, numa sessão sobre “Inovação e Sustentabilidade do SNS”. Este debate contará com a participação do diretor executivo da APIFARMA, Heitor Costa, da presidente da Administração Central do Sistema de Saúde, Marta Temido, do vice-presidente do INFARMED, Rui Ivo, do presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), Alexandre Lourenço, do presidente do Conselho de Administração do IPO do Porto, Laranja Pontes, e da presidente da Associação de Apoio a Portadores de Alterações nos Genes Relacionados com Cancro Hereditário (Evita), Tamara Milagre.

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