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Saúde
E se os jogos pudessem ser usados para diagnosticar doenças do envelhecimento?
quarta-feira, 22 novembro 2017 11:14
Foi o que quis saber um estudo preliminar, desenvolvido por investigadores das Faculdades de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e Medicina (FMUC) da Universidade de Coimbra (UC). O trabalho revelou que os videojogos têm potencial para, no futuro, virem a ser utilizados como meio auxiliar de diagnóstico em doenças associadas ao envelhecimento. A investigação foi distinguida com o prémio de “Melhor Artigo Científico” na International Conference on Entertainment Computing 2017.

 

O objetivo do estudo passa por avaliar se os serious games, jogos aplicados a situações sérias, podem ser úteis na avaliação cognitiva e estimulação da população idosa. Para tal, a equipa, constituída por Hélio Neto, Joaquim Cerejeira e Licínio Roque, instrumentou três jogos com ferramentas de recolha de dados que permitissem estudar o desempenho das funções cognitivas do público-alvo. Posteriormente, os jogos foram testados com dois grupos de pessoas idosas.

 

De acordo com o comunicado de imprensa, os resultados revelaram “uma correlação direta entre o desempenho obtido nos jogos e o resultado alcançado no teste MoCa”. Licínio Roque, docente e investigador da FCTUC revela que “os jogadores que obtiveram melhor performance no teste padrão foram os que conseguiram concluir mais níveis nos jogos”.

 

Assim, os investigadores acreditam que os serious games poderão, no futuro, “ser utilizados como instrumento auxiliar de diagnóstico em patologias que envolvam avaliações neuropsicológicas. Os jogos podem, de uma forma menos estressante e mais atrativa, ser usados como indicadores de substituição para testes cognitivos. Por exemplo, a pessoa pode estar no conforto da sua casa e ser acompanhada remotamente pelo médico enquanto joga”, salienta Licínio Roque.

 

Por seu lado, Joaquim Cerejeira, psiquiatra no CHUC e docente da FMUC, realça que esta nova abordagem “poderá vir a ser útil para caraterizar e monitorizar a função cognitiva dos doentes de uma forma rotineira e cómoda. O médico ou neuropsicólogo poderão dessa forma verificar se o desempenho do doente está de alguma forma prejudicado e verificar em que medida o tratamento instituído está a ser eficaz”.

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