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Saúde
Médicos do SNS insatisfeitos com condições de remuneração e horários
sexta-feira, 15 dezembro 2017 12:07
O estudo “A carreira médica e os fatores determinantes da saída do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, divulgado esta terça-feira, 12 de dezembro, pela Universidade do Porto, mostra que um terço dos médicos foram trabalhar em exclusivo para o privado e que quase metade dos jovens médicos ponderam emigrar após concluir o internato de especialidade. Na origem desta tendência estão a remuneração desadequada e a ausência de perspetivas de progressão.

 

“É notório que a saída de médicos do SNS não se prende com o abandono do exercício da Medicina, mas sim com a procura de melhores condições para o exercício da atividade médica”, começa por explicar Marianela Ferreira, investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, citada pela TSF. Já Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, deixa um alerta: “é urgente encontrar soluções para não se continuar a perder o capital humano do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

 

A maioria dos médicos do Norte que participaram no estudo – cerca de três quartos do total – está descontente com as condições de trabalho e muitos optam mesmo por abandonar o SNS. A motivação principal prende-se com a busca de melhores condições para o exercício da profissão. Assim, “antecipam a reforma, saem para o setor privado e, especialmente os mais novos, para emigrar”, pode ler-se no comunicado de imprensa da Ordem dos Médicos. “A apreciação negativa do contexto do SNS deve-se, sobretudo, às longas jornadas de trabalho, à falta de oportunidades de progressão e à remuneração insuficiente”, continua. Concretamente, os números mostram que 43% dos 812 profissionais que responderam ao inquérito saíram para a reforma, enquanto 7% decidiu ir exercer medicina no estrangeiro.A desilusão é mais visível entre os profissionais mais jovens: só um terço dos internos diz que "provavelmente" ou "definitivamente" ficará no sector público em Portugal; e quase metade admite a possibilidade de emigrar.

 

A carga horária, a remuneração e a falta de oportunidades de progressão na carreira são os principais fatores que impulsionam a saída para o privado. Cerca de dois terços dos médicos especialistas inquiridos na primeira fase da investigação – 60,5% – admitiram estar insatisfeitos ou muito insatisfeitos com o excesso de horas de trabalho. O número sobe (74,1%) quando está em causa o descontentamento face ao tempo disponível para a família, amigos ou lazer.

 

Quanto à remuneração, 76,7% dos inquiridos revelou estar insatisfeito ou muito insatisfeito com o rendimento auferido. Simultaneamente, quase metade dos participantes considerou ainda que os descansos compensatórios legais não são respeitados e um quarto admitiu que ultrapassa o horário de trabalho estipulado todos os dias.

 

Finalmente a falta de perspetivas de evolução na carreira reforça a insatisfação generalizada, com 63,3% dos médicos insatisfeitos ou muito insatisfeitos.

 

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