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DMI é principal causa de cegueira depois dos 50
segunda-feira, 06 maio 2013 12:53

artigo fhe084 e4aaeA DMI, degenerescência macular da idade, é, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, a principal causa de cegueira depois dos 50 anos, nos países desenvolvidos. Em Portugal, existem cerca de 300 mil pessoas com as formas precoces da doença e 70 mil com formas avançadas (com risco de cegar).


"Em Portugal, todos os anos surgem cerca de 3000 novos casos de DMI exsudativa (a forma mais grave) que deveriam ser tratados", alerta Rufino Silva, chefe de serviço no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e professor convidado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.


Segundo explica o oftalmologista, a DMI é uma doença que afeta a mácula – um tecido fino e sensível à luz que se encontra na parte central da retina e que nos dá a visão de pormenor para podermos, por exemplo, ler, ver televisão ou conduzir.


Rufino Silva indica que os sinais da DMI são detetados pelo oftalmologista quando observa a retina. "Os sintomas podem estar ausentes nas formas precoces da doença (a maioria dos casos)", afirma, acrescentando, contudo, que estas formas podem evoluir para outras mais graves, muitas vezes de "maneira súbita". "No espaço de dias ou semanas, o doente pode deixar de ler ou, por exemplo, ver televisão com o olho afetado."


De acordo com o oftalmologista, a visão distorcida é um sinal muito importante e que deve alertar para esta doença (linhas retas que ficam onduladas e imagens deformadas). "Deve-se avaliar um olho de cada vez", diz, advertindo que uma pessoa com mais de 50 anos que note a visão distorcida num dos olhos deve consultar o seu oftalmologista.


Existem dois tipos de DMI (exsudativa ou húmida e atrófica ou seca) e cada um deles tem distintas formas de evolução. A idade (mais de 50 anos), a história familiar, a carga genética e o tabaco são os principais fatores de risco. "Fumar faz mal aos olhos e especificamente nesta doença aumenta o risco de cegar", alerta, sublinhando que as formas mais graves da DMI são, sem dúvida, mais frequentes em fumadores.


Só as formas mais graves de DMI dão perda de visão. "Uma pessoa, nessas circunstâncias, pode perder, por completo, a visão central, ficando apenas com uma perspetiva periférica e desfocada do mundo", menciona.


Rufino Silva salienta que quando os dois olhos são afetados, situação que pode suceder em cerca de 50% dos casos mais graves, o doente pode ficar impedido de realizar tarefas quotidianas como ler, escrever, conduzir, distinguir os rostos das outras pessoas, ver as horas ou os números de telefone.


"Em Portugal, existem cerca de 300 mil pessoas com as formas precoces da doença (na maioria, sem sintomas) e com formas avançadas (visão muito reduzida ou cegueira de leitura) teremos cerca de 70.000", adianta o oftalmologista, mencionando que estes números resultam da extrapolação de dados internacionais (Holanda, EUA e Austrália).


Está a decorrer, atualmente, um estudo epidemiológico, "o primeiro a ser realizado em Portugal", na zona Centro do país (concelhos de Mira e Lousa), que possibilitará a existência de dados portugueses de prevalência da DMI.


Texto publicado no Jornal de Saúde Pública, 4 de maio 2013

 

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