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Saúde
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Mais de metade da população portuguesa sofre de obesidade ou pré-obesidade

Por: Joana Figueiredo

segunda-feira, 21 maio 2018 12:22

A obesidade é um problema grave de Saúde Pública, cuja prevalência tem aumentado a um nível bastante alarmante. Segundo o último estudo português do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), estima-se que, em Portugal, mais de metade da população tenha obesidade ou pré-obesidade, o que corresponde a mais de seis milhões de pessoas. Já a nível mundial, pensa-se que mais de 50% da população será obesa em 2025, se não forem adotadas medidas em contrário. O alerta é dado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), que reforça a importância de reestruturar os programas de tratamento existentes em Portugal.

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou, num relatório recente, que entre 2002 e 2014 os países estagnaram no combate à obesidade. Ainda assim, a doença causa um impacto, não só na qualidade de vida, mas também na morbilidade, com o desenvolvimento de problemas de saúde associados – diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia, doenças metabólicas, respiratórias, cardiovasculares e ósseas, alguns tipos de cancro e uma mortalidade aumentada.

No âmbito do Dia Nacional e Europeu da Luta Contra a Obesidade, que se celebrou neste sábado, dia 19 de maio, a presidente da SPEO, Paula Freitas, refere que “com o aumento da incidência da obesidade há uma clara necessidade para que Portugal comece a fazer mais e melhor!”

“Ainda há muito espaço para se melhorar o acompanhamento destes doentes no que diz respeito a um diagnóstico mais atempado e reencaminhamento dentro do sistema de saúde, na promoção de uma melhor educação para a saúde e gestão correta da perda de peso, mas também como evitar o reganho ponderal”, acrescenta.

A especialista fala, por isso, em “deficiências” e na “necessidade de uma reestruturação dos programas de tratamentos existentes no nosso país”. “O Serviço Nacional de Saúde (SNS) pouco fez para melhorar o acesso aos tratamentos dos portugueses, especialmente no que diz respeito aos novos fármacos, disponíveis em Portugal, mas sem qualquer apoio do Estado na sua comparticipação, o que faz com que existam graves lacunas na acessibilidade”, refere.

Para além das implicações ao nível da saúde dos próprios doentes, a obesidade resulta em elevados custos aos sistemas de saúde, “desde o tratamento das multipatologias, como é o caso do cancro ou doenças respiratórias e cardiovasculares e diabetes, que são as áreas em que mais se gasta em saúde em Portugal, aos custos diretos, que se estimam em cerca de 59 milhões de euros, com tratamentos, cirurgias e internamentos, para além dos custos indiretos relacionados com o absentismo laboral” acrescenta a representante da SPEO.

O excesso de peso e a obesidade estão associados a um maior risco de desenvolvimento de diferentes tipos de cancro, podendo ser eles hormono-dependentes (endométrio, ovário, mama, colo útero, próstata) e gastrointestinais (colo-rectal, vesícula biliar, pâncreas, fígado).

“As entidades de saúde e sociedade civil necessitam de trabalhar em conjunto com as sociedades médicas, especialistas de várias áreas do conhecimento e associações de doentes para encetar programas de prevenção, diagnóstico e tratamento da obesidade para todas as faixas etárias, a implementar nos cuidados primários. Portugal foi o primeiro país da Europa a reconhecer a obesidade enquanto doença e seria excecional se nos conseguíssemos manter na linha da frente como modelo europeu ou mundial a seguir. A SPEO está aberta para colaborar”, assegura Paula Freitas.

 

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