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Saúde
Estudo revela que Portugal tem o dobro de médicos dentistas face ao rácio recomendado pela OMS
quarta, 08 agosto 2018 10:01

De acordo com o estudo “Números da Ordem”, Portugal tem o dobro de médicos dentistas face ao rácio recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Desta forma, ao invés do valor indicado de um profissional por cada dois mil habitantes, regista-se um dentista por 1.033 habitantes.

 

Estas são contas do estudo que anualmente sistematiza os principais dados da profissão de médico dentista em Portugal, apresentando uma projeção do que é expectável para os próximos anos. Outra das conclusões foi a de que no ano passado estavam inscritos na Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) 11.387 dentistas, resultando num aumento de 699 face a 2016.

Analisando o crescimento previsto do número de médicos dentistas ativos em Portugal e a diminuição do número de habitantes em território nacional, espera-se que, a partir de 2019, exista um profissional para menos de mil habitantes. Neste sentido, a OMD estima que em 2021 venha a registar aproximadamente 12 mil membros.

Ainda que se verifique um crescimento exponencial, este não é homogéneo. Em termos de distribuição geográfica, existem diferenças significativas em todo o país. Com um médico dentista por cada 707 pessoas, a área metropolitana do Porto é a região com menor rácio. Seguem-se as regiões de Coimbra, Viseu Dão-Lafões, terras de Trás-os-Montes, Cávado e área metropolitana de Lisboa.

Por outro lado, os locais com menos médicos dentistas ativos por habitante são o Baixo Alentejo e o Alentejo Litoral, uma vez que o rácio população/médico dentista é mais alto. No Baixo Alentejo, região com o maior rácio do país, existe um médico dentista por 2.741 habitantes.

 

Medicina Dentária: a realidade nacional

A acompanhar o crescimento de membros da OMD surge também um aumento cada vez maior do número de inativos há mais de cinco anos, número de anos em que, previsivelmente, um médico dentista inativo não voltará a exercer atividade de Medicina Dentária.

“O excesso de médicos dentistas está a criar um flagelo na profissão. Portugal não tem como absorver tantos profissionais, pelo que a emigração tem crescido para valores impensáveis. Os “Números da Ordem” mostram apenas uma parte do problema, já que muitos médicos dentistas emigram, mas continuam inscritos na OMD, alguns inclusive trabalham em vários países”, refere o bastonário da OMD.

“Há anos que alertamos os sucessivos governos para a necessidade imperativa de diminuir o número de vagas em Medicina Dentária nas faculdades, mas nem privados nem o Estado querem reduzir as receitas, pelo que na prática e para os alunos, concluído o mestrado, resta um caminho, o da emigração”, acrescenta Orlando Monteiro da Silva.

O Reino Unido continua a ser o principal destino de emigração para os médicos dentistas portugueses, seguido da França. O estudo em causa mostra que 75% dos membros ativos da OMD têm menos de 45 anos, 59,7% são mulheres e há 872 estrangeiros inscritos na Ordem. Destes, 468 são brasileiros.

Como destaca o especialista, outra novidade é “o número de estudantes estrangeiros a formar-se nas instituições portuguesas, com os estudantes de França, Espanha e Itália a destacarem-se neste capítulo. No total, 26% têm nacionalidade estrangeira, número bastante superior à percentagem de estrangeiros entre os membros ativos da OMD, que não atinge os 9%. Nesta altura, existe já até uma instituição de ensino privado que tem mais estudantes estrangeiros do que portugueses”.

Este é “o reconhecimento internacional do ensino da Medicina Dentária em Portugal, que tem sido cada vez maior”, afirma Orlando Monteiro da Silva. Atualmente existem 3.404 alunos de mestrado integrado nas sete instituições de ensino portuguesas, um número similar ao do ano letivo anterior.

 

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