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Saúde
Portugueses apresentam uma baixa literacia em saúde cardiovascular, revela estudo nacional
quinta-feira, 20 setembro 2018 12:35
No passado mês de agosto foi publicado, na Revista Portuguesa de Cardiologia, o estudo “Conhecimento sobre a doença cardiovascular em Portugal”. Na investigação verificou-se que 30% dos participantes não respondeu ou não soube responder a questões relacionadas com o risco de acidente vascular cerebral (AVC) ou de enfarte agudo do miocárdio (EAM).

 

O estudo pretendeu caracterizar o conhecimento específico sobre a doença cardiovascular (DCV), nomeadamente o AVC e o EAM, da população portuguesa, de acordo com fatores sociodemográficos, literacia em saúde e história clínica. Foram avaliados 1624 residentes em Portugal continental, com idades entre 16 e 79 anos, através de entrevistas presenciais com questionário estruturado.

 

Os resultados da investigação apontam para que a proporção de respostas não dadas seja, aproximadamente, duas vezes maior em participantes mais velhos e que cerca de 30% dos participantes não conseguiram estimar o risco de AVC e EAM.

 

Em média, os indivíduos que responderam estimaram que 34,2 e 35,6% dos portugueses sofrerão um AVC ou um EAM durante a sua vida, respetivamente.

 

36,8% afirma que não fumar e 32,8% que fazer uma dieta saudável é um dos principais comportamentos para a prevenção da doença cardiovascular. No entanto, atribuem menos importância ao controlo da pressão arterial, apesar da enorme prevalência da hipertensão em Portugal.

 

Por outro lado, menos de metade dos participantes respondeu que “telefonar para o 112” seria uma opção correta, perante a presença de sinais ou sintomas de eventos.

 

Relativamente ao AVC, 90,7% considera como sequelas consequentes, a dependência nas atividades diárias, 89,8% nomeia as perturbações da fala e 86,4% a insuficiência cardíaca. Já para o EAM 85,3% considera a dependência nas atividades diárias como maior consequência.

 

De uma forma geral, participantes com literacia em saúde adequada revelaram um conhecimento em saúde cardiovascular mais apropriado.

 

Neste sentido, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia considera que se verificaram importantes lacunas no conhecimento específico sobre a doença cardiovascular da população portuguesa. Por isso, a Sociedade considera que as estratégias e práticas de educação em saúde devem ser sensíveis às diferenças descritas de acordo com o nível de literacia em saúde, de forma a melhorar o conhecimento em saúde cardiovascular da população portuguesa.

 

As mais recentes recomendações para a prevenção da doença cardiovascular na prática clínica, sugerem que o reconhecimento de comportamentos saudáveis pode ser decisivo para ajudar os doentes a adotar estilos de vida saudáveis, através da implementação de uma alimentação correta, exercício físico, treinos de relaxamento, controlo do peso e programas de cessação tabágica, o que obriga a uma maior e melhor comunicação entre os doentes e os profissionais de saúde.

 

O estudo em causa reforça a necessidade que existe em criar ferramentas de análise e de promoção da “literacia em saúde”, uma vez que, só assim é possível percecionar onde é possível intervir por forma a que o acesso à saúde seja maior e mais eficiente.

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