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Saúde
Primeiro estudo sobre o perfil dos doentes com psicose em Portugal: sintomas começam a surgir em média aos 22 anos
quarta, 10 outubro 2018 10:33
As doenças psicóticas, entre elas a esquizofrenia, afetam cerca de 50 mil pessoas em Portugal. Para compreender melhor esse cenário, sobretudo no que respeita ao contexto socio-clínico desses doentes, a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), levou a cabo um estudo de âmbito nacional sobre o perfil dos doentes com psicose, com dados de 2015. Trata-se do primeiro estudo deste tipo realizado em Portugal e pretende assinalar o Dia internacional da Saúde Mental, celebrado hoje, 10 de outubro.

 

Segundo Marques Teixeira, presidente da SPPSM, o principal objetivo do pdfestudo é a perceção de um “conhecimento real e concreto do problema nacional neste tipo de doente”. Deste modo, pretende-se contribuir para o “desenvolvimento de políticas e programas que sejam baseados na evidência”.

 

Além de reunir informação de caráter socioeconómico, o estudo, realizado com uma amostra da população portuguesa, pretende realçar a importância do apoio ao doente enquanto pessoa, nomeadamente, os apoios laborais (igualdade de oportunidades de emprego), os apoios sociais (reformas, pensões, estruturas comunitárias) e a criação de sistemas de saúde com vista a satisfazer as necessidades dos doentes (no caso da acessibilidade e diferenciação de cuidados).

 

A maior parte dos doentes não recebe apoios sociais

 

Das conclusões do estudo ao nível da perspectiva sociodemográfica, verifica-se que a grande maioria dos doentes é solteiro (74,6%). Dos inquiridos mais de 39% dos doentes incluídos vive em casa própria ou arrendada, enquanto um terço dos doentes habita numa residência protegida ou está internado numa instituição de saúde mental. Apenas 29,9% dos participantes no estudo afirmam usufruir de apoios sociais, sendo que o apoio alimentar é mencionado por 9% dos doentes.

 

Em termos de habilitações literárias, o ensino secundário (29,9%) é o mais referido pelos inquiridos, sendo que só 12,7% dos doentes tem formação superior. 4,5% dos doentes não sabe ler ou escrever. Relativamente à situação profissional, a maioria dos inquiridos (63,4%) refere que se encontra reformado por Invalidez e mais de 21% está desempregado. Para a maior parte dos doentes reformados ou reformados por invalidez, o valor mensal bruto da pensão situa-se entre os 200 e 300 euros mensais.

 

Sintomas começam a surgir em média aos 22 anos

 

Quanto aos principais dados de uma perspectiva socio-clínica, as conclusões do estudo indicam que a idade média de início dos sintomas da doença é de aproximadamente 22 anos. A maior parte dos doentes (48,5%) considera que o seu estado de saúde atual é razoável, sendo que a perceção dos cuidadores é mais negativa que a dos doentes - 26,1% das respostas dos cuidadores indicam um estado de saúde ‘fraco’. Em média decorreram 2,3 anos desde o início dos sintomas até ao acompanhamento em consulta da especialidade, e 1,3 anos desde o início do acompanhamento à instituição de terapêutica farmacológica. O valor médio gasto na compra dos medicamentos prescritos é bastante variável e 28% dos doentes não sabe quanto gasta com a medicação.

 

Aproximadamente 38,1% dos doentes esteve internado nos últimos dois anos e, para além da doença psiquiátrica, 38,8% dos doentes afirmam ter outras patologias diagnosticadas, nomeadamente depressão (10,4%, n=14), obesidade (9,7%, n=13) e outras patologias (14%).

 

As principais conclusões do estudo de uma perspectiva socio-clínica apontam que 17,2% dos doentes participa em algum tipo de organização. No que respeita à participação ativa na vida política, expressa pelo exercício do direito de voto, 48,5% dos doentes refere ter parte ativa.

 

A divulgação deste estudo é apoiada pela Janssen Portugal.

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