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Saúde
Mais de metade da população idosa portuguesa não se considera saudável, revela estudo
quarta-feira, 31 outubro 2018 10:36

Duas investigadoras concluíram que cerca de dois terços de uma amostra de pessoas com mais de 65 anos, residentes em Portugal, avalia o seu estado de saúde como não saudável. Esta perceção está fortemente associada a fatores como a dor, a perda de memória e a solidão. Os resultados são de um estudo desenvolvido por uma docente da Escola Superior de Saúde de Aveiro (ESSUA) e investigadora do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), Maria Piedade Brandão, e por uma especialista do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), Margarida Fonseca Cardoso.

 

O trabalho analisou e comparou as perceções das ameaças à saúde e ao bem-estar entre os idosos de Portugal e da Polónia, dois países europeus que estão abaixo da média em medidas como o rendimento e a riqueza. No primeiro, as pessoas com mais de 65 anos representam 20% da população enquanto no segundo 15%.

De acordo com as investigadoras, 69,2% dos idosos portugueses classificaram o seu estado de saúde como razoável ou mau e 66,5% dos idosos polacos disseram o mesmo. Em Portugal, o género e o estado civil estão relacionados com as suas perceções nesta área. Assim, as mulheres têm mais tendência para avaliarem a sua saúde como razoável ou má, enquanto as pessoas viúvas têm mais tendência para se considerarem não saudáveis.

Em ambos os países, não ter dinheiro suficiente até ao fim do mês aumenta a probabilidade de percecionar o seu estado como não saudável. Entre a amostra portuguesa, cerca de um quarto dos idosos declarou chegar ao final de cada mês sem dinheiro para as suas despesas, uma percentagem superior à encontrada na Polónia, de 14,8%. O estudo refere o baixo grau de instrução entre os mais velhos como uma das possíveis explicações para esta disparidade.

Entre as variáveis analisadas, a dor está presente em mais de 80% dos idosos estudados que se dizem não saudáveis. Feitas as contas, conclui-se que os idosos portugueses com dor têm um risco nove vezes maior de reportar um estado de saúde razoável ou insatisfatório.

Também a falta de ar durante atividades do dia-a-dia e problemas mentais, como a solidão e a perda de memória, estão claramente associadas a perceções mais negativas sobre o estado de saúde e bem-estar. A solidão é, indiscutivelmente, uma das mais importantes ameaças a ter em conta. Segundo este estudo, 71,9% dos idosos avaliados que não se consideram saudáveis dizem que se sentem sós e mais de metade dos que se consideram saudáveis referem este sentimento.

Com um total de 480 adultos acima dos 65 anos de idade (247 portugueses e 233 polacos), este estudo vem demonstrar que problemas de visão, dor, perda de memória, dificuldade em respirar e solidão são ameaças à perceção da saúde e do bem-estar por parte dos idosos dos dois países, apesar das diferenças sociodemográficas existentes entre eles.

Para Maria Piedade Brandão, estes resultados poderão ajudar a detetar, prevenir e combater as principais ameaças associadas ao envelhecimento, assim como contribuir para o desenvolvimento de estratégias de saúde a nível nacional e europeu.

 

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