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Saúde
Especialistas preocupados com o impacto das doenças cardiovasculares na mortalidade das pessoas com diabetes
quinta, 08 novembro 2018 11:12
“A relação entre doenças cardiovasculares e a diabetes é, do ponto de vista de Saúde Pública, preocupante e perigosíssima”. A propósito do Dia Mundial da Diabetes, que se assinala no dia 14 de novembro, o cardiologista Carlos Aguiar alerta para as complicações nem sempre tidas em conta pelos doentes e partilha uma preocupação, relacionada com o aumento da prevalência da obesidade, “um caminho para a diabetes do tipo 2”.

 

Num comunicado divulgado à comunicação social, o cardiologista explica que “a mortalidade por doenças cardiovasculares tem vindo a diminuir, o que mostra os benefícios do controlo dos fatores de risco”. Mas a preocupação prende-se agora com a possibilidade da obesidade e da diabetes vir a causar uma inflexão na mortalidade cardiovascular.

 

Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as pessoas com diabetes

 

O risco cardiovascular é elevado entre os doentes com diabetes. Jácome de Castro, endocrinologista, confirma, referindo que “as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as pessoas com diabetes”. “São responsáveis por mais de 50% da mortalidade”, explica. Um problema que é tanto mais grave uma vez que, em Portugal, a diabetes continua a ser uma doença por controlar. De acordo com o especialista, no Atlas da Federação Internacional da Diabetes de 2017, “Portugal representa uma das manchas mais escuras da Europa”.

 

O endocrinologista considera, por isso, ser importante passar a mensagem de que, “para além do rim, do olho e das amputações, a doença cardíaca e a mortalidade cardíaca são um dos principais inimigos a ter em conta na diabetes, porque é por isso que os doentes morrem”.

 

Já Carlos Aguiar reforça a ideia de que “as pessoas tendem a olhar para a diabetes como um problema associado a comer doces”. “Mas, aqui, o que importa é que esta é uma doença que vai resultar numa perda de tempo de vida”, explica, referindo que quando há uma doença cardiovascular associada, a esperança de vida é encurtada em oito, nove anos, em média. “Se tivermos também diabetes, a ligação é realmente perigosa, ou seja, o tempo de vida é ainda mais curto".

 

Um diagnóstico atempado, que permita evitar as complicações associadas à diabetes, entre as quais as cardiovasculares, é cada vez mais um desafio. Segundo Jácome de Castro, os dados recolhidos estimam que, em Portugal, cerca de 30% dos doentes com diabetes não estejam diagnosticados. “Isto quer dizer que as pessoas vão vivendo sem saber que têm a doença e esse tempo em que estão sujeitas a valores altos de açúcar vai destruindo o seu organismo”.

 

A importância da prevenção

 

Para o especialista, “estamos hoje num momento de grande desafio, em que estão a aparecer ensaios clínicos muito importantes, que introduzem fármacos com novos mecanismos de ação, novos fármacos que atuam ao nível do rim, da inflamação, da parede dos vasos, que influenciam o prognóstico das doenças cardiovasculares e que se afiguram protetores do organismo”. “A nossa preocupação é, por isso, atuar cada vez mais cedo”.

 

Na opinião do especialista “temos que conseguir prevenir o mais possível essas complicações”.

 

A tudo isto junta-se a importância do cumprimento terapêutico. “É uma pena termos medicamentos que devolvem a esperança de vida, mas que depois o doente não toma”, reforça Carlos Aguiar.

 

“E um dos problemas que faz com que não cumpram tem a ver com compartimentalização dos medicamentos. Ou seja, se é dito ao doente que o medicamento que toma destina-se a reduzir o colesterol e, quando ele vai fazer a análise, os valores já baixaram, então é legítimo que pense que, se teve sucesso - baixou, de facto, o colesterol -, então pode deixar de o tomar. Gostava que os medicamentos fossem todos chamados pelo nome que têm: destinam-se a prolongar a quantidade e a qualidade de vida. Acho, por isso, quase obrigatória uma reclassificação dos medicamentos”.

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