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Saúde
Envelhecimento populacional origina aumento das doenças oculares associadas à idade
quarta, 05 dezembro 2018 12:15
A partir dos 40 anos, a presbiopia é uma situação que afeta muitos portugueses. Isabel Almasqué, membro da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), explica que esta condição resulta de uma evolução fisiológica nosso sistema visual, caracterizada por “uma perda progressiva e fisiológica da capacidade de ver ao perto a partir da quarta década de vida”.

 

A presbiopia e outras doenças causadas pelo envelhecimento do sistema visual vão ter lugar de destaque no 61.º Congresso Português de Oftalmologia, que arrancou hoje e termina no dia 8 de dezembro, em Vilamoura.

 

E ainda que não seja uma doença, a presbiopia “obriga habitualmente ao uso de uma correção ótica para ver ao perto e a maior parte das pessoas não gosta de usar óculos”, acrescenta a também presidente honorária do encontro. “O surgimento de várias alternativas cirúrgicas inovadoras, que permitem resolver esta situação sem recorrer ao uso de óculos tem, por isso, atraído a atenção do público em geral e concentrado o interesse de muitos oftalmologistas que se dedicam a esta área”, acrescenta.

 

Um problema que se inclui nas consequências do envelhecimento, outro dos temas a que o congresso da SPO vai dar especial atenção. Isto porque “o nosso sistema visual tem exatamente a mesma idade de cada um de nós”, explica Isabel Almasqué. O que significa que o envelhecimento da população, que se tem verificado nos países desenvolvidos, entre os quais Portugal, corresponde a um “aumento do número das doenças oculares mais frequentes em idades avançadas, nomeadamente a degenerescência macular relacionada com a idade (DMI), a retinopatia diabética, as cataratas ou o glaucoma”.

 

Os números confirmam esta tendência e confirmam também a importância crescente destes problemas de saúde. “Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a DMI constitui a principal causa de cegueira nos países industrializados. Se extrapolarmos para Portugal a prevalência de DMI nestes países, teremos um total de cerca de 85 mil casos, estimando-se que, anualmente, surjam cerca de três mil novos casos de DMI exsudativa no nosso país”, refere a especialista.

 

Quanto ao glaucoma, “é considerado a segunda maior causa de cegueira a nível mundial (a seguir às cataratas) e a primeira causa de cegueira irreversível. Embora os dados atuais não sejam rigorosos, devido ao grande número de casos por diagnosticar (cerca de 50%), estima-se que cerca de 3% da população mundial com mais de 40 anos tenha glaucoma e que existam atualmente cerca de 7 milhões de cegos bilaterais por glaucoma”.

 

Doenças progressivas que, “quanto mais tarde são diagnosticadas, mais interferem de maneira negativa na vida pessoal e social dos doentes e mais recursos económicos exigem para o seu tratamento. Por isso, nunca é demais insistir na importância da vigilância regular pelo oftalmologista”.

 

Essa é, de resto, uma das grandes preocupações dos oftalmologistas, o facto de poderem diagnosticar estas doenças “o mais precocemente possível, de modo a poderem tratar as que são tratáveis e a retardar a evolução daquelas que ainda são consideradas incuráveis”. Até porque, confirma a médica, “há muitas patologias oculares cuja evolução, lenta e silenciosa, só afeta a visão tardiamente, como é o caso do glaucoma ou de algumas doenças degenerativas da retina. Por isso, é necessário que as pessoas consultem regularmente o seu oftalmologista, mesmo quando aparentemente não têm dificuldades visuais, ou quando pensam que uma simples mudança de lentes pode eventualmente resolver o problema”.

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