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Saúde
Saiba como se melhora a qualidade de vida de pais de bebés muito prematuros
quarta-feira, 09 janeiro 2019 12:12
A aposta no desenvolvimento de políticas de saúde intersetoriais, integradas e centradas na família, é fundamental para melhorar a qualidade de vida de mães e pais de crianças muito pré-termo (que nascem com menos de 32 semanas de gestação).

 

Este é o resultado de um estudo realizado pela Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), que avaliou a qualidade de vida de mães e pais de crianças muito pré-termo, quatro meses depois do parto. A qualidade de vida de pais de bebés muito pré-termo pode estar comprometida devido a distúrbios do sono, fadiga, stress e sintomas psicopatológicos.

 

"É uma altura em que a maioria dos bebés já teve alta da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN) e estão em casa. Além disso, os quatro meses correspondem, na lei portuguesa, ao período normal da licença de parentalidade”, explica Mariana Amorim, primeira autora do estudo. Por esta altura, muitas das mães estão a preparar-se para regressar ao trabalho. Daí, esta altura ter sido considera o melhor período para avaliação.

 

De acordo com a investigação, para melhorar a qualidade de vida dos pais, teria que se reformular a licença de parentalidade. "O período de internamento do bebé não deveria estar incluído no tempo da licença de parentalidade”, diz Mariana Amorim. Para além disso, seria importante “criar intervenções focadas para colmatar os efeitos negativos que a constante vigilância e higienização têm na qualidade de vida parental”.

 

É preciso também compreender o modo como os pais e as mães destas crianças avaliam os fatores que influenciam a sua qualidade de vida para se conseguir delinear políticas e serviços de saúde mais centrados nas famílias no contexto da prematuridade. 

 

Os autores utilizaram um questionário da Organização Mundial de Saúde (OMS) para avaliar a qualidade de vida dos pais, que contempla parâmetros como a saúde física, o estado psicológico, as relações sociais e a relação com o meio ambiente, onde participaram 67 mães e 64 pais e onde foram entrevistados 26 casais.

 

Concluiu-se que mães e pais avaliam a sua qualidade de vida de forma semelhante, são afetados negativamente afetada pelo stress parental, pela ansiedade e pela depressão. A qualidade de vida das mães parece ser negativamente influenciada por uma posição socioeconómica baixa. Nos pais, fatores como o tempo de internamento da criança e a existência de problemas de saúde do bebé também têm um impacto negativo na sua qualidade de vida.

 

O estudo revelou ainda que não existem diferenças significativas entre a perceção da qualidade de vida das mães e dos pais das crianças muito pré-termo e a população em geral.

 

Segundo Mariana Amorim, tal pode explicar-se, entre outros fatores, pelo facto de os pais ativarem mecanismos de acomodação interna. “Perante um acontecimento de vida muito stressante, como é o nascimento de uma criança muito pré-termo, os pais ativam mecanismos internos para enfrentarem a situação, como por exemplo serem otimistas perante a vida, reorganizarem os seus objetivos, compararem os seus filhos com crianças que se encontram em piores situações, no fundo, reformularem as suas expectativas. Estes mecanismos fazem com que os fatores que influenciam negativamente e positivamente a qualidade de vida sejam balanceados”, refere.

 

A investigação permitiu também perceber que a constante vigilância em relação à criança e a necessidade de higienização permanente influenciam negativamente a qualidade de vida dos pais. Por outro lado, o acesso aos cuidados de saúde foi referido como um aspeto que influencia positivamente a qualidade de vida parental, uma vez que os pais têm conhecimento que o internamento de uma criança muito pré-termo é bastante dispendioso.

 

Apesar de todos os avanços médicos e tecnológicos, as crianças que nascem muito prematuramente apresentam um elevado risco de morte e de atrasos no neurodesenvolvimento, pelo que o nascimento prematuro é um importante problema de saúde pública.

 

Fonte: Universidade do Porto

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