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Saúde
Cães podem servir de "alerta" contra doenças oncológicas
terça-feira, 05 fevereiro 2019 09:59
Um estudo realizado pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluiu que os cães, ao partilharem com um humano a mesma "exposição ambiental", podem servir de "alerta" para o surgimento de doenças oncológicas.

 

O estudo teve início em 2013 e reuniu informações sobre 1242 humanos e 504 cães. Desde aí que o objetivo passava por avaliar a relação do linfoma não-Hodgkin, cancro que tem início nos linfócitos, células que fazem parte do sistema imunitário, nos humanos e nos caninos da área do Grande Porto.

 

"Este estudo evidencia que onde há o cancro humano, também há o similar cancro canino, ou seja, eles têm uma correlação espacial, que pode evidenciar um fator de exposição ambiental", explica a investigadora do ISPUP Katia Pinello, a propósito do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, assinalado ontem, dia 4 de fevereiro.

 

"70% dos cancros são provocados por fatores ambientais. O nosso estudo comprova que há uma correlação e que pode existir um fator externo tanto no cão, como no homem. Mas, são necessários estudos de causalidade", destaca a investigadora.

 

Além de evidenciar a correlação espacial, o estudo, que avaliou as características e semelhanças epidemiológicas, destaca a incidência do linfoma não-Hodgkin nos homens e machos, contrariamente ao panorama entre as mulheres e fêmeas.

 

"Tal como nos humanos a maior prevalência dos linfomas é nos homens, isso também se sucedeu nos cães. Já nas mulheres, o linfoma aparece tardiamente. Em contrapartida, nas cadelas aparece mais cedo, quando ainda são jovens. É uma diferença interessante, que recai provavelmente pela prática da esterilização", sublinha.

 

"O estudo é uma chamada de atenção e queremos inseri-lo no âmbito do quadro do "One Health", porque queremos tratar a saúde humana, animal e ambiental como apenas uma, na medida em que está tudo interligado", afirma. Katia Pinello pretende, ainda, "aumentar a colheita de dados" veterinários, de modo a conseguir fazer "uma rede de observação" para outras neoplasias e doenças.

 

"Esta rede vai permitir monitorizar e alargar os estudos, e perceber também se em outras doenças existe esta correlação, para assim podermos criar sistemas de alerta", conclui.

 

Fonte: JN

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