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Saúde
É necessário garantir o direito humano a uma alimentação adequada para todos, alertam os especialistas
sexta-feira, 08 fevereiro 2019 11:43

Numa tentativa de sensibilizar os deputados para a importância de uma intervenção legislativa que permita a consagração consensual do Direito Humano à Alimentação Adequada, a Ordem dos Nutricionistas (ON) e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) redigiram uma carta direcionada a todos os grupos parlamentares. O Projeto de Lei de Bases no que a este tema diz respeito vai estar hoje em discussão na Assembleia da República.

 

O debate deverá materializar os compromissos internacionais assumidos por Portugal para garantir o acesso a uma alimentação adequada para todos os portugueses, como direito humano fundamental.

“No nosso país, coexistem situações de alimentação insuficiente e de alimentação excessiva, o que se repercute em sérios problemas na saúde dos portugueses. Este cenário preocupante deve ser motivo de mobilização e o Estado tem o dever de garantir o direito humano a uma alimentação adequada, traçando políticas intersectoriais que o assegurem”, salienta Alexandra Bento, bastonária da ON.

A ON recorda os dados conhecidos recentemente que mostram que 10% dos portugueses tiveram dificuldade em fornecer alimentos suficientes a toda a família e que 2,6% das famílias experimentaram situação de insegurança alimentar moderada ou grave, ou seja, alteraram os seus hábitos alimentares habituais e reduziram o consumo de alimentos. Por outro lado, mais de metade da população tem peso a mais.

Também Francisco Sarmento, representante da FAO em Portugal, sublinha que “é preciso de forma consensual garantir o acesso a uma alimentação adequada a todos os portugueses. O facto de ainda existirem portugueses que não têm garantido este requisito essencial que é a alimentação e a nutrição, significa que temos um sistema alimentar desadequado, o que é sinal de um insucesso coletivo”.

A ON e a FAO há muito que têm vindo a defender a criação da Lei de Bases do Direito Humano à Alimentação Adequada, tendo inclusive, em 2017, reunido todos os grupos parlamentares na Assembleia da República para sensibilizar para iniciativas legislativas que consagrassem este direito que, até à data, não é reconhecido em Portugal.

 

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