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Saúde
Espera por consulta de Oftalmologia ronda os seis meses e pode chegar aos três anos
quarta-feira, 20 fevereiro 2019 10:14

O tempo de espera por uma consulta de Oftalmologia ronda os seis meses, mas pode chegar aos três anos. Este foi o resultado de um estudo realizado pela Nova Healthcare Initiative – Research, da Universidade Nova de Lisboa, que revelou, ainda, que 25% dos pedidos de consulta de Oftalmologia podem ser resolvidos por optometristas, tendo em conta a natureza das condições referenciadas e caso estes profissionais fossem integrados no Serviço Nacional de Saúde (SNS). 

 

A investigação, cujo objetivo passa por analisar o acesso dos doentes aos cuidados de saúde da visão em Portugal e indicar recomendações de melhoria do SNS, propõe que os optometristas sejam, assim, integrados.

 

Esta é uma das resoluções apresentadas por este trabalho e que visa “a generalização dos programas de rastreio e a redução ou mesmo eliminação dos tempos de espera para consulta de oftalmologia”, pode ler-se no comunicado divulgado à comunicação social.

 

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, apenas cerca de 53% das consultas de Oftalmologia são realizadas em conformidade com o tempo máximo de resposta garantida. 

 

“Esta é uma realidade que poderia ser retificada através da regulamentação e integração de optometristas no SNS, uma vez que que esta especialidade está preparada para fornecer cuidados extensivos em visão e sistema visual, que incluem refração e prescrição, deteção e acompanhamento de doenças oculares e o tratamento de condições do sistema visual”, afirma Raúl de Sousa, presidente da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO).

 

“Esta capacidade dos optometristas é fundamentada na sua formação específica e distinta das outras profissões de saúde da visão, enquadrada na área de saúde pela Direção-Geral de Ensino Superior, e realizada na Faculdade de Ciência de Saúde da Universidade da Beira Interior e na Escola de Ciências com a cooperação da Escola de Medicina da Universidade do Minho”, acrescenta.

 

Com isto, acrescenta o especialista, “se considerarmos que um optometrista pode realizar em média 6.000 consultas por ano, a implementação desta classe profissional no SNS conseguiria minimizar as listas de espera, através da triagem de casos que seriam, posteriormente, encaminhados para os cuidados de Saúde diferenciados de Oftalmologia”.

 

“Tomamos estas recomendações em muito boa conta e concordamos com a abordagem multidisciplinar proposta de cooperação entre os optometristas e oftalmologistas, a qual beneficiará, e muito, o utente. As conclusões e recomendações do referido estudo são de tal importância e preveem tal impacto na saúde dos portugueses, que não podem deixar de ser analisadas e considerada no atual processo de elaboração da Estratégia Nacional para a Saúde da Visão”.

 

Mais de dois milhões de pessoas apresentam dificuldades de visão em Portugal, sendo os erros refrativos a principal causa de disfunção da visão, atingindo, segundo as estimativas, mais de 50% dos portugueses. De seguida surgem a ambliopia, a diabetes ocular, a catarata, entre outros. O número de pessoas com problemas de visão tende a aumentar conforme a idade, alcançando entre 30 a 32% no grupo etário entre os 45 e os 74 anos.

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