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Saúde
Estimulação elétrica devolve movimentos a doentes com Parkinson
terça, 23 abril 2019 10:34

Um tratamento-piloto desenvolvido por uma equipa de cientistas da Universidade de Western, em Ontário, no Canadá, foi capaz de devolver os movimentos a alguns doentes que foram diagnosticados com doença de Parkinson crónica. 

 

O estudo, que deu origem a este tratamento, foi apresentado no 21.º Congresso Internacional da Doença de Parkinson e dos Distúrbios do Movimento, em 2017, e sugeria que a estimulação elétrica da medula espinhal poderia aumentar significativamente a possibilidade dos utentes de realização atividades diárias, ao mesmo tempo que diminuía os episódios de congelamento da marcha.

 

Depois de testado, o método fez com que alguns doentes que estavam anteriormente internados em casa fossem capazes de andar mais livremente. O potencial do tratamento já foi realçado por várias organizações ligadas à doença, uma vez que, se se provar eficaz, resolverá um aspeto do Parkinson que ainda não tinha cura.

 

O diretor da Fundação Nacional para o Parkinson no Centro de Ciências da Saúde de London, em Ontário, Mandar Jog, afirma à BBC que os resultados do método nos utents vão além dos seus “sonhos mais loucos”.

 

“A maior parte dos nossos doentes tem a doença há 15 anos e nunca caminhou com confiança. A evolução de estarem presos em casa e de apresentarem um grande risco de quedas até conseguirem viajar ou ir ao shopping é notável”, refere o investigador, também docente na Universidade de Western.

 

Grande parte dos pacientes com Parkinson demonstra mais dificuldades em andar à medida que a doença avança, sendo que é muito comum que tenham episódios de congelamento de marcha ou que caiam.

 

Do cérebro às pernas

 

A atividade normal de caminhar envolve uma troca de instruções entre o cérebro e as pernas:​ o cérebro dá a ordem para que as pernas se mexam e só quando esse movimento for concluído é que é enviada a instrução para a próxima tarefa.

 

Mandar Jog acredita que a doença de Parkinson reduz os sinais que voltam ao cérebro quando a atividade está concluída, quebrando o ciclo de instruções e fazendo com que o paciente não consiga andar. O implante desenvolvido pela equipa de investigadores amplia esse sinal, permitindo que o paciente ande normalmente.

 

"Agora posso andar muito melhor. Não caio desde que comecei o tratamento e isso deu-me mais confiança. Estou ansiosa para dar mais passeios com o [marido] Stan ou talvez até fazê-lo sozinha", conta Gail Jardine, canadiana de 66 anos.

 

Ao canal britânico, o professor explica que ficou surpreendido ao perceber que o tratamento era duradouro e que funcionava mesmo quando o implante estava desligado.

 

“Esta é uma terapia de reabilitação completamente diferente. Nós achávamos que os problemas de movimento ocorreriam em pessoas com Parkinson porque os sinais do cérebro para as pernas não estavam a ser transmitidos, mas parece que são os sinais que deviam voltar ao cérebro que estão degradados”, acrescenta.

 

O que a equipa concluiu, depois de alguns meses de tratamento, é que, antes de os doentes receberem os estímulos elétricos, as áreas que controlavam o movimento não funcionavam adequadamente, mas depois de alguns meses essas áreas pareciam restauradas.

 

Fonte: Público 

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