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Saúde
Cardiologistas e Grupo Multidisciplinar de Tabagismo alertam para perigos de produtos de tabaco não combustível
segunda-feira, 12 agosto 2019 11:20

O conhecimento dos malefícios do tabaco suscitou em todo o globo a adopção de medidas de proteção aos não fumadores e desincentivadoras do hábito de fumar. Os ganhos importantes nos indicadores de saúde cardiovascular ocorridos nas últimas décadas já refletem o impacto positivo dessas medidas. No entanto, a indústria tabaqueira lançou novos produtos alternativos ao tabaco combustível, observando-se o seu consumo crescente sobretudo em adolescentes e adultos jovens, criando novos caminhos para o vício da nicotina. A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) e o Grupo Multidisciplinar de Tabagismo emitiram um comunicado sobre o assunto.

 

Em comunicado, a SPC e o Grupo Multidisciplinar de Tabagismo referem que a indústria tabaqueira, diretamente ou através de fundações por si financiadas, tem vindo a difundir a ideia de que os novos produtos são alternativas “saudáveis” ou “mais saudáveis” ao tabaco combustível e suportam a sua argumentação num conjunto de estudos que reivindicam como possuindo base científica. A maior parte da evidência publicada resulta apenas de estudos observacionais, alguns dos quais controlados e/ou de questionários/surveys; não existem praticamente estudos aleatorizados com a tecnologia do tabaco aquecido. Os estudos disponíveis são todos de curta duração, não existindo qualquer evidência sobre os efeitos a longo prazo dos sistemas de tabaco aquecido.

 

Segundo a SPC e o Grupo Multidisciplinar de Tabagismo, a maior parte dos artigos foi publicada em revistas de reduzida visibilidade e/ou com factores de impacto desconhecidos ou baixos. Além disso, numa avaliação sistemática da evidência publicada em 2018, 65% dos estudos identificados eram patrocinados ou desenvolvidos pela indústria do tabaco e num relatório recente elaborado pelo Gabinete de Estudos da SPC, 68% dos 71 artigos sobre tabaco aquecido correspondem a artigos cujos autores são funcionários das empresas tabaqueiras ou reportam conflitos de interesse com as mesmas.

 

O comunicado refere ainda que “tem havido grande pressão por parte da indústria tabaqueira para atribuir em sede de legislação um diferente estatuto, menos restritivo, para o uso dos novos produtos de tabaco. As sociedades científicas, pelo contrário, têm vindo a adoptar uma posição muito mais prudente, considerando não existir evidência robusta relativamente aos efeitos para a saúde a longo prazo destes produtos e, por conseguinte, o efeito sobre a saúde pública do seu uso permanecer desconhecido. Numa carta recente subscrita pelo Tobacco Control Research Group, Department for Health, University of Bath, UK, The Philip Morris-Funded Foundation for a Smoke-Free World é claramente afirmada a necessidade de ciência robusta para reduzir os malefícios causados pelo tabaco, mas esta ciência tem que ser independente da indústria tabaqueira.”

 

Perante a pressão sobre a opinião pública e os legisladores por parte de painéis de comentadores em iniciativas promovidas pela indústria tabaqueira, com eco em publicações de elevado prestígio, a SPC e o Grupo Multidisciplinar de Tabagismore afirmam que:

1. Não existe evidência científica sólida que suporte atualmente a discriminação positiva dos produtos de tabaco não combustível (tabaco aquecido) e de produtos com nicotina (cigarros eletrónicos).
2. É urgente o desenho e a implementação de estudos científicos independentes com dimensão e duração adequadas para clarificar esta questão.
3. Até lá, a única medida comprovada para reduzir os malefícios do tabaco é a abstinência.
4. Os legisladores e entidades públicas deverão ter em conta os interesses de promoção da saúde a longo prazo e a proteção da saúde das próximas gerações, promovendo o pleno cumprimento das medidas legislativas aplicáveis aos produtos do tabaco, em particular a promoção da publicidade e patrocínio, e ampliando as medidas restritivas aplicáveis a estes novos produtos no que se refere às vendas na Internet e ao controlo das estratégias de marketing em eventos juvenis e redes sociais.

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