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Saúde
Cigarro eletrónico: pneumologistas alertam para o aumento dos casos de doença respiratória grave
quinta-feira, 12 setembro 2019 10:40
A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) recomenda aos médicos que comuniquem casos de doentes com sintomas respiratórios que suspeitem estar ligados ao consumo do cigarro eletrónico. O alerta surge depois de terem sido reportados, nos Estados Unidos, um número crescente de casos de doença respiratória grave, de causa desconhecida, mas associada ao uso de cigarros eletrónicos.
 
No comunicado emitido pela SPP pode ler-se que até ao passado dia 6 de setembro as autoridades americanas tinham detetado um total de 450 casos e cinco mortes confirmadas, com uma apresentação clínica variada, mas tendo como ponto comum a todos o uso de produtos relacionados com cigarros eletrónicos (dispositivos, líquidos, cápsulas de enchimento e cartuchos).
 
Apesar de variável, a doença apresenta algumas características comuns: sintomas respiratórios, tais como a tosse seca, falta de ar, opressão torácica; sintomas gastrointestinais, como náuseas, vómitos ou diarreia; e sintomas gerais, nomeadamente febre, perda de peso e fadiga.
 
As pessoas afetadas são bastante jovens e um terço tem menos de 18 anos, variaram entre 16 e 52. Quase todos os casos reportados necessitaram de hospitalização, cerca de um terço com ventilação mecânica e nalguns casos até oxigenação extracorporal por membrana. A investigação de agentes microbianos é consistentemente negativa, em alguns casos responderam a terapêutica corticoide, mas não se conhece um tratamento dirigido à causa da doença.
 
Apesar do número de dispositivos e líquidos diferentes disponíveis no mercado ser elevado, em cerca de 80% dos casos os doentes consumiram produtos com nicotina e derivados da canábis, como o tetrahidrocanabiol (THC) ou o canabidiol (CBD). Desconhece-se se a doença é provocada por toxicidade de algum destes compostos, por aditivos ou contaminantes desconhecidos ou por outras substâncias formadas quando se dá o aquecimento e vaporização dos líquidos.
 
Até ao momento não se conhecem casos semelhantes fora dos EUA. No entanto, dada a grande disseminação destes produtos e fácil acessibilidade, é provável que surjam noutros países, incluindo Portugal.
 
Embora a investigação relativa a este surto se mantenha em curso, a SPP reitera a convicção de que a "melhor forma de proteger a saúde respiratória é respirar ar limpo". A inalação de compostos químicos presentes no vapor dos cigarros eletrónicos representa um risco real. Assim, a SPP emite as seguintes recomendações:
1. O uso de cigarros eletrónicos é perigoso e não é recomendado;
2. Deve ser especialmente evitada a sua utilização por grupos mais vulneráveis, como as crianças, adolescentes, adultos jovens, grávidas, idosos e doentes respiratórios crónicos;
3. É especialmente perigosa a utilização de dispositivos adquiridos fora do comércio regulado, a sua utilização modificada ou a adição de líquidos ou óleos contendo derivados da canábis ou outros aditivos;
4. Os consumidores de cigarros eletrónicos que desenvolvam sintomas respiratórios agudos devem procurar o médico e fornecerem-lhe informação sobre o produto que consomem;
5. Os médicos que assistem doentes com quadro clínico semelhante devem obter informação detalhada sobre o uso destes dispositivos e comunicá-lo às autoridades de saúde, em caso de suspeita.

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