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Saúde
Quais as maiores preocupações e ansiedades na gravidez? Estudo responde
quarta-feira, 02 outubro 2019 14:01

O Estudo “Preocupações, Mitos e Tabus da Gravidez e do Pós-parto”, conduzido pelo Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa, para a Barral, procurou compreender como se pode ajudar as grávidas e puérperas a viver esta fase num contexto em que o ambiente digital potenciou a existência de uma sobrecarga de informação, a disseminação de notícias falsas e um acesso imediato a conteúdos de saúde sem nenhuma curadoria por parte de profissionais credenciados.

 

O estudo em resultado da necessidade de dar resposta às preocupações das mulheres numa fase tão importante das suas vidas. A confirmação de uma gravidez é, na maioria dos casos, um momento de grande alegria e expectativa, mas também de dúvidas e inseguranças relacionadas com as mudanças no corpo, o parto, a amamentação, os cuidados com o bebé, o tempo para os cuidados pessoais, o sono, a relação conjugal e a questão universal sobre as capacidades como mãe.

Com vista a apurar o máximo de informação sobre estas questões, a equipa de investigadores da Universidade Católica Portuguesa optou por utilizar uma metodologia mista com um estudo quantitativo através de questionário online junto de uma amostra de 663 mulheres grávidas e puérperas residentes na área metropolitana de Lisboa, com uma idade média de 34 anos. Em complemento, conduziram também um estudo qualitativo através de uma dinâmica de World Café, junto de um grupo de 18 grávidas e puérperas da região de Lisboa, com uma média de idade de 33 anos, que contribuíram para aprofundar algumas das temáticas do inquérito.

No inquérito ficou patente que as grávidas e puérperas continuam a considerar que os profissionais de saúde são a fonte de informação em quem mais confiam (82% consideram a opinião dos médicos ‘muito importante’ e 83% consideram a opinião dos farmacêuticos ‘importante’ ou ‘muito importante’). Os fóruns digitais são ainda as fontes de informação que as respondentes consideram ter menor grau de credibilidade (apenas 29% os consideram ‘importantes’ ou ‘muito importantes’).

Relativamente aos maiores motivos de preocupação e ansiedade destacaram-se no inquérito a saúde do bebé (84%), a recuperação pós-parto (54%), o parto (51%) e a amamentação (48%). Relativamente aos cuidados de saúde durante a gravidez destacaram-se a utilização de cremes nos cuidados diários de higiene (94%), manter uma alimentação saudável e evitar ganhar peso excessivo (90%). As inquiridas desmentiram, porém, o mito dos “desejos” durante a gravidez. A maioria das inquiridas que já passou pela experiência do parto (n=439) relaciona o parto com uma experiência positiva (60%) e destacam o apoio dos profissionais de saúde nesta fase (82%). No entanto, 71% das respondentes afirmam que por mais que lessem e se informassem, nunca podiam estar preparadas para uma experiência tão intensa como a do parto.

No inquérito destacam-se também alguns aspetos psicológicos relacionados com preocupações e motivos de ansiedade que registaram taxas de concordância por parte das inquiridas enquanto recém-mamãs (n=408), acima dos 50%, como sejam:

  • Não ter tempo para cuidar do corpo e da imagem (63%)
  • Sentir-se triste com as alterações no corpo (51%)
  • Ter momentos de desespero achando que não se seria capaz de tratar do bebé (60%)
  • Ter alterações do humor (82%)
  • Ter dificuldade em descansar e dormir as horas necessárias (81%)
  • Sentir pressão social, por exemplo para amamentar (51%)
  • Sentir que os familiares e amigos queriam ajudar, mas ainda complicavam mais (60%)

No âmbito da investigação qualitativa recolhida através da dinâmica de World Café no tema “Eu e o meu Corpo” destacou-se o desejo de que haja disponível informação neutra e esclarecedora prestada durante a gravidez e pós-parto por profissionais multidisciplinares. Sobre o tema ”Eu e as minhas Emoções” ressaltaram as opiniões de que existe necessidade de apoio psicológico no pós-parto e de que muitas vezes, a pressão recai mais sobre as inquiridas, porque a partir do momento em que o pai “ajuda”, parece que a obrigação de cuidar do bebé é apenas da mãe, quando na verdade é dos dois progenitores. Também é difícil para o pai desempenhar a sua paternidade, pois acaba por ter tantas ou mais dúvidas e dificuldades como a mãe. No tema “Eu e o meu Bebé” as participantes destacaram que a relação entre a mãe e o bebé se constrói e pode não ser imediata, que deveria haver acompanhamento não só da saúde física, mas também psicológica e que o momento do regresso ao trabalho implica uma rutura dramática e existe muita pressão das entidades empregadoras. Finalmente, no tema “Eu e o meu mundo”, as participantes destacaram que a sociedade e a legislação não apoiam as necessidades das famílias.

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