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Saúde
Crianças que vivem em bairros desfavorecidos e perto de fast-food têm maior probabilidade de serem obesas
segunda-feira, 09 dezembro 2019 12:27
As crianças que vivem em zonas residenciais menos favorecidas e mais perto de estabelecimentos de fast-food têm uma maior probabilidade de serem obesas, revelou um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), que avaliou de que forma o ambiente influencia ou não a obesidade infantil.
 
Na realização do estudo foram usados dados da avaliação aos sete anos de 5203 crianças do estudo Geração XXI, que por sua vez acompanha, desde 2005, 8647 recém-nascidos das maternidades públicas da Área Metropolitana do Porto, que inclui as regiões do Porto, Gondomar, Matosinhos, Valongo, Maia e Vila Nova de Gaia.
 
“Esta investigação pretendeu mostrar qual a influência do ecossistema onde estamos inseridos no desenvolvimento de obesidade infantil. Uma condição que é um grande problema de saúde pública, por estar associado a múltiplos problemas de saúde física, como a diabetes, hipertensão e doença cardiovascular, e saúde mental, nomeadamente baixa autoestima, exclusão social e depressão”, explica uma das investigadoras, Ana Isabel Ribeiro.
 
De acordo com o projeto, a prevalência média da obesidade infantil na região está na ordem dos 15,4%. Contudo, na intersecção das freguesias de Guifões, Santa Cruz do Bispo e Custóias, verificaram-se valores superiores, nomeadamente 20,1%, acontecendo o mesmo na intersecção das freguesias de Sobrado e Valongo, com uma prevalência de 26,7%.
 
As possíveis causas destas diferenças foram também avaliadas, sendo analisados oito variáveis ambientais na zona residencial e o seu impacto. Destas, apenas duas mostraram ser estatisticamente relevantes: a privação socioeconómica do bairro e a proximidade de restaurantes fast-food (a uma distância de 400 metros).
 
“Vimos que as crianças que vivem em locais com maior proximidade a estabelecimentos de fast-food têm cerca de 30% mais probabilidade de serem obesas e que aquelas que habitam em zonas mais pobres também apresentam maior probabilidade de terem obesidade. As crianças que vivem em zonas mais verdes têm menos probabilidade de serem obesas, assim como as que moram em locais com mais equipamentos desportivos. Contudo, a associação não foi estatisticamente significativa”, conclui a investigadora.
 
Com uma maior distância, neste caso de 800 metros, a tendência permaneceu a mesma, mas os resultados não foi estatisticamente significativos.
 
Também a privação socioeconómica está associada à obesidade, na medida em que, de acordo com estudos nacionais e internacionais, as zonas mais pobres são mais poluídas, têm menos acesso a equipamentos de saúde, e são mais inseguras, esclarece a investigadora.
 
A investigadora espera que o trabalho sensibilize os decisores portugueses para a obesidade, um problema de saúde pública que ainda tem proporções embrionárias no que diz respeito à ação no nosso país, mencionando países como o Reino Unido, Holanda e Estados Unidos, onde já há muito trabalho sobre esta questão.
 
Tendo assinalado as populações de maior risco, a investigadora apela agora a um maior controlo no que toca às opções alimentares, particularmente nas áreas residenciais e perto de escolas, num momento em que algumas cidades europeias já mostraram os seus planos para limitar a abertura de novos restaurantes fast-food a menos de 400 metros das escolas. Em Portugal, a proposta foi colocada a debate no Congresso da Ordem dos Nutricionistas, em março.
 

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