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Saúde
Investigadores de Coimbra criam método inovador para tratamento de lesões agudas da pele
terça-feira, 21 janeiro 2020 11:17
Um grupo de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) criou uma formulação inovadora para a entrega de moléculas que poderá ser útil no tratamento de lesões agudas da pele. O estudo foi publicado na Angewandte Chemie International, uma revista científica alemã na área da química.
 
Têm surgido várias estratégias de entrega de fármacos com sequencias de ARN não-codificantes, ou seja, pequenas sequências do código genético humano com papel regulador no organismo, no que toca o tratamento de diversas doenças da pele. Contudo, devido à sensibilidade destas moléculas e à sua dificuldade de entrarem na pele, estes métodos têm tido grandes dificuldades.
 
“Pretendíamos desenvolver uma formulação que conseguisse entregar os ARN não-codificantes de maneira mais eficiente. Há uma vasta classe de novas terapias que não têm resultado: primeiro, existem enzimas na nossa pele que degradam material genético externo; segundo, moléculas tão grandes como esta têm dificuldade em entrar nas células da pele, e para atuarem têm de ser integradas nas células. É precisa uma ferramenta para tornar esta entrega possível”, explica Josephine Blersch, investigadora do CNC-UC e primeira autora do estudo.
 
Já que outras formulações aprovadas apresentam grandes níveis de toxicidade e uma resposta imunológica forte, era necessário que o dispositivo fosse de rápida absorção e eficácia, mas sem provocar respostas indesejadas: “decidimos desenvolver uma formulação cuja ação fosse sensível à luz, que permite controlo sobre localidade e tempo da entrega do seu princípio ativo”, esclarece a investigadora.
 
Os investigadores procuraram formulações baseadas em nanopartículas que fossem biodegradáveis, orgânicas e que causassem nenhuma ou pouca toxicidade, começando com o desenvolvimento de uma biblioteca de nanopartículas que contassem com estas características, e que fossem ativáveis pela luz, ou seja, que libertassem o material que transportavam dentro das células, antes de serem expulsas pelas mesmas.
 
Vítor Francisco, investigador do CNC e autor do estudo, acrescenta que, após desenvolverem a biblioteca de nanopartículas, pretenderam “filtrar as melhores formulações, utilizando microscopia automatizada, algoritmos de machine-learning, entre outros métodos do processamento em alto rendimento”, acabando por identificar cerca de 160 formulações. Destas, seis mostraram-se bastante rápidas e eficientes, mais do que a grande parte das formulações já comercialmente disponíveis, adianta.
 
Os investigadores testaram as diferentes formulações em células da pele, verificando uma rápida entrada e entrega da molécula de ARN que transportavam nas mesmas após estimulação com luz. Depois, com um ARN de princípio ativo inovador, observaram que, em modelos animais com lesões agudas na pele, promoviam uma aceleração da cicatrização, comparando com os animais controlo, pelo que os autores do estudo pretendem testar estas mesmas formulações noutros contextos de lesões de pele mais graves.
 
“Com este estudo pretendíamos desenvolver formulações que consigamos controlar de modo a diminuir possíveis efeitos colaterais e que simultaneamente aumentem a eficácia intracelular do ARN libertado. É a grande vantagem deste sistema, não só libertamos o seu conteúdo, mas também controlamos esta libertação. Poderá ter um grande impacto no futuro”, conclui o investigador Vítor Francisco.
 

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