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Saúde
Medicamento que previne VIH pode vir a estar disponível em farmácias
terça-feira, 21 janeiro 2020 11:20
O medicamento que previne o VIH e que é de uso exclusivo dos hospitais pode passar a estar disponível nas farmácias, para chegar a mais pessoas. O anúncio foi feito pela diretora do Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA, Isabel Aldir, na passada sexta-feira, dia 17 de janeiro, num evento na Câmara de Lisboa. No mesmo evento, foi revelado que Lisboa será palco da conferência internacional Fast-Track Cities 2020, em setembro.
 
Cerca de 1.200 pessoas estão a fazer profilaxia pré-exposição da infeção por VIH (PrEP) em Portugal. A médica infeciologista esclareceu que a PrEP, que consiste na toma de medicação antirretroviral por pessoas que não têm VIH, mas que estão vulneráveis à infeção, “funciona de uma forma muito robusta”.
 
Ainda assim, para tirar “todos os dividendos em termos de saúde pública” seria necessário abranger entre 10 e 15 mil pessoas. Nesse sentido, a responsável defendeu uma revisão da forma como o medicamento é disponibilizado: “Isso pode passar por alterar essa classificação para que possa também existir na farmácia comunitária como tantos outros”, afirmou Isabel Aldir, em declarações à agência Lusa.
 
A profilaxia de pré-exposição encontra-se neste momento apenas na rede e nos clínicos que recebem as pessoas com infeção por VIH, mas, como salientou a infeciologista “a prevenção deve estar o mais próximo possível da população e temos ainda de ter consciência de que estamos a tratar, por vezes, de populações que, por múltiplas razões, têm um acesso mais dificultado às estruturas formais de saúde”.
 
Para Isabel Aldir, trabalhar com organizações de base comunitária que conhecem essas populações é uma das formas mais eficazes de contactar com estas pessoas, ainda que não exclua “os Cuidados de Saúde Primários, nem os cuidados hospitalares, que também têm um papel muito importante a fazer”, reiterou, acrescentando que aumentar a literacia dos profissionais de saúde também é um meio de identificar e disseminar informação junto da comunidade.
 
A infeciologista colocou ainda a possibilidade de introduzir o acesso à PrEP na Medicina privada, caso veja as capacidades de resposta no Serviço Nacional de Saúde (SNS) esgotadas, mediante a garantia que a sua utilização e os seus dados sejam monitorizados: “o que me importa é qualquer pessoa que precise de PrEP tenha acesso a ela e isso é que deve ser de facto o nosso objetivo. Temos ainda um longo caminho a percorrer, mas temos que o percorrer de uma forma rápida porque se não o fizermos todo o benefício que poderíamos tirar da PrEP não vai ser conseguido da forma como poderia ser feito”, concluiu.
 
De acordo com o relatório “Infeção VIH e SIDA – situação em Portugal em 2019”, a maioria das pessoas que estão a fazer profilaxia PrEP são homens, muito escolarizados e que vivem nas grandes cidades.
 

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