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Saúde
Estudo apela a melhores estratégias nas campanhas de doação de gâmetas
segunda-feira, 27 janeiro 2020 12:18
Um novo estudo alerta para a necessidade de as campanhas de informação e recrutamento de dadores de gâmetas, nomeadamente óvulos e espermatozoides para técnicas de procriação medicamente assistida, apostarem em locais de divulgação e comunicação mais diversificados, de modo a que se consiga melhorar o recrutamento e reduzir o estigma associado à conceção por doação de gâmetas. O trabalho, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), foi publicado no The European Journal of Contraception & Reproductive Health Care.
 
Catarina Samorinha, coautora do trabalho, explica que “o alargamento do acesso a técnicas de procriação medicamente assistida a mulheres solteiras e casais de mulheres, em 2016, levou a um aumento na procura de gâmetas doados no setor público. No nosso país, só existe um Banco Público de Gâmetas, situado no Porto, e há falta de dadores para satisfazer este aumento da procura”. Este aumento levou ao investimento em campanhas de doação de gâmetas, que visassem não só o aumento de dadores, como também a diminuição do estigma associado ao procedimento, acrescenta.
 
O estudo do ISPUP analisou as perspetivas de dadores e de beneficiários relativamente a campanhas públicas de doação de gâmetas, contanto com a participação de 72 dadores e 177 beneficiários, recrutados no Banco Público de Gâmetas. O objetivo seria recolher informação que orientasse campanhas futuras centradas nas pessoas, mais responsivas e adaptadas às necessidades, preferências e valores dos seus públicos-alvo, de modo a aumentar a sua eficácia.
 
O trabalho verificou a necessidade de investir na disseminação das campanhas em locais mais acessíveis e diversificados, para além dos Centros de Saúde, Hospitais e Universidades, os principais locais onde os participantes tiveram contacto com as campanhas. Este investimento permitirá, também, “diversificar o público-alvo”, como refere Catarina Samorinha, que acrescenta que as campanhas “devem considerar também outros públicos, como homens casados com filhos e profissionais de saúde que não são especializados em Medicina da Reprodução, pois o seu envolvimento é crucial na divulgação destas campanhas”, sublinha.
 
O estudo concluiu também que os canais de comunicação devem ser adaptados aos objetivos, neste caso à redução do estigma e ao recrutamento de dadores. A televisão foi o canal mais mencionado, parecendo ser um método eficaz na disseminação de conteúdos relacionados com o recrutamento de dadores e na melhoria da consciencialização sobre a doação de gâmetas na população em geral.
 
Também a partilha de experiências em workshops e espaços públicos mostrou-se fundamental no aumento da consciencialização para a doação de gâmetas e para a redução do estigma associado: “os resultados deste trabalho mostram que é importante apostar na disseminação de campanhas por diversos canais de comunicação e que estas devem estar acessíveis em vários contextos, para que se consiga chegar a mais pessoas. Outro aspeto que sobressaiu, através do relato dos participantes, foi a importância de envolver os profissionais de saúde e de usar testemunhos reais nas campanhas de doação de gâmetas. Estes dados poderão ser usados para melhorar a eficácia destas ações de comunicação”, conclui a investigadora.
 
O trabalho, desenvolvido no âmbito da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP, designa-se Concerns with educating the public about donating and receiving gametes.
 
A investigação foi conduzida no âmbito do projeto Engaged – Bionetworking e cidadania na doação de gâmetas, liderado por Susana Silva, investigadora do ISPUP, e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

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