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Saúde
Cancro do colo do útero: a vacinação é a melhor prevenção
terça-feira, 28 janeiro 2020 11:51
A propósito da Semana Europeia de Prevenção do Cancro do Colo do Útero, assinalada este ano entre 20 e 26 de janeiro, a Vital Health conversou com a ginecologista Virgínia Monteiro, coordenadora da Unidade Colposcopia-Laser do Hospital da Luz, que nos falou sobre a doença e as medidas a tomar de modo a alcançar as metas estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no sentido de erradicar o cancro do colo do útero até 2030.
 
Estima-se que todos os anos ocorram cerca de mil novos casos de cancro do colo do útero em Portugal, dos quais 390 acabam por ser fatais. A doença é caracterizada por ser um cancro de mulheres jovens, em idade fértil, causada pela infeção do vírus do papiloma humano (HPV) de alto risco. Ainda sim, a prevenção e o tratamento são possíveis quando diagnosticada atempadamente, pelo que os números têm tendência a diminuir.
 
“A infeção persistente pelo vírus do papiloma humano (HPV) de alto risco é o fator primordial, assim como o início precoce das relações sexuais, múltiplos parceiros e a multiparidade. O tabaco e os estados de imunossupressão são cofatores que contribuem para a persistência ativa da infeção por HPV de alto risco”, explica a ginecologista.
 
Trata-se de uma doença com sintomas silenciosos, apesar de, quando se encontrar num estado avançado, poderem “surgir sintomas como perda de sangue fora da menstruação, coitorragias (sangramento nas relações sexuais), dispareunia (dor nas relações sexuais), corrimento vaginal com mau odor, dor pélvica e, até mesmo, alterações urinárias e retais”, acrescenta Virgínia Monteiro.
 
A OMS definiu que até 2030 será possível erradicar o cancro do colo do útero, mediante a vacinação de 90% das raparigas, o rastreio de 75% das mulheres, e o tratamento de 90% das mulheres rastreadas que manifestem a doença.
 
A especialista salienta que esta meta depende de estratégias implementadas a nível mundial, como a prevenção primária e secundária: “a prevenção pode ser primária, através da vacinação contra o HPV. Esta vacina, que integra o Programa Nacional de Vacinação (PNV) desde 2008 e contempla, desde então, todas as raparigas e mulheres nascidas após 1992, confere uma proteção estimada em 90% para o cancro do colo do útero. A prevenção secundária é feita através do rastreio nacional organizado do cancro do colo do útero com teste HPV, entre os 25 e os 60 anos”, esclarece.
 
“A vacinação confere uma proteção estimada em 90% para o cancro do colo do útero, 95% para o cancro do ânus, 90% para o cancro da vulva, 85% para o cancro da vagina e 90% para verrugas genitais”, sublinha a responsável.
 
Virgínia Monteiro acrescenta que a vacinação masculina também é importante, já que “se os homens forem vacinados, a probabilidade de infeção das mulheres é menor”. A vacinação masculina previne ainda outros cancros, como o cancro da orofaringe e ânus, que atingem os homens pela infeção por HPV, explica.
 
Para além da vacinação e dos rastreios, a especialista recomenda a visita a um médico ginecologista de forma regular, alertando as mulheres para que tenham padrões de vida saudáveis, como evitar o tabaco e alterações de comportamento sexual.
 
“As mulheres que foram tratadas por lesões pré-malignas do colo do útero, vagina e/ou vulva e que não fizeram a vacina no PNV, poderão ser vacinadas no sentido de prevenir para a recorrência da doença”, conclui.
 

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