Mafalda Bourbon, coordenadora do estudo, disse que os dados recolhidos surpreenderam, sobretudo porque "este trabalho analisou o conjunto de fatores de risco para um mesmo indivíduo" e não os fatores de forma isolada.
Os investigadores defendem que os dados recolhidos mostram a necessidade de as autoridades de saúde "desenvolverem estratégias para rastrear a população em geral quanto aos fatores de risco para as doenças cardiovasculares e promovam medidas de estilo de vida adequadas e literacia em saúde".
"Não obstante o decréscimo verificado nos últimos anos, as doenças cérebro-cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal e a esperança de vida saudável aos 65 anos de idade é inferior à média europeia" sublinham os investigadores.
Os investigadores salientam também "o elevado grau de desconhecimento dos indivíduos em relação à sua situação clínica e à medicação prescrita", sublinhado que estes dados reforçam "a necessidade de melhorar a literacia em saúde".
Questionada sobre se algumas das medidas levadas a cabo pelo Governo, sobretudo o aumento das taxas sobre as bebidas açucaradas, o álcool e os produtos de tabaco, e os programas de alimentação saudável e da promoção da atividade física, Mafalda Bourbon disse que é preciso repetir o mesmo estudo para avaliar esse impacto.
A investigadora do INSA reconhece que os fatores de risco apontados "já eram todos conhecidos", mas diz que "é preciso insistir para que as pessoas tomem consciência de que cada um pode fazer a diferença".
O trabalho de campo para este estudo decorreu entre 2012 e 2014 e a análise dos dados recolhidos entre 2015 e 2017.
Fonte: SNS