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Saúde
Uso excessivo de telemóvel e redes sociais aumenta problemas mentais entre jovens
quarta-feira, 12 fevereiro 2020 12:32
O uso excessivo de telemóveis e de redes sociais está associado ao aumento de problemas mentais, comportamentos de automutilação e suicídio entre os jovens. As revelações foram feitas por um estudo canadiano publicado esta segunda-feira, dia 10 de fevereiro, na revista Canadian Medical Association Journal (CMAJ), mostrando que o fenómeno tem maior impacto nas raparigas.
 
Um grupo de investigadores do hospital infantil Sick Kids em Toronto, no Canadá, reforçou os efeitos nocivos do uso intenso das redes sociais entre os jovens, associado ao aumento das doenças mentais, comportamentos auto-lesivos e tentativas de suicídio entre as populações mais jovens, verificando que parecem ser maiores entre as raparigas.
 
Divulgado na véspera do Dia da Internet Mais Segura, assinalado ontem, dia 11 de fevereiro, o estudo foi baseado na revisão de outros 20 estudos, realizados nos últimos anos entre crianças e adolescentes de vários países. Os estudiosos concluíram que a forma como os adolescentes se veem pode alterar-se devido às redes sociais, bem como as relações com quem os rodeia. Interações negativas, como o bullying, foram alguns dos problemas registados, para além da normalização da automutilação e do suicídio, da privação do sono e da diminuição da performance académica.
 
“São precisas campanhas públicas de consciencialização assim como políticas sociais que promovam ambientes domésticos e escolares que aumentem a resiliência dos jovens enquanto navegam nos desafios da adolescência do mundo de hoje”, defende o estudo.
 
A percentagem de adolescentes com problemas mentais em Ontário tem vindo a aumentar, passando de 24% em 2013, para 39% em 2017. As consultas e admissões de crianças e jovens nos serviços de saúde por questões de saúde mental tem seguido a mesma tendência, aumentado um pouco por todo o país. No caso das raparigas o problema mostra-se mais grave, tendo os casos de automutilação disparado entre 2009 e 2014, com um aumento de 110%.
 
O suicídio é a segunda maior causa de morte entre os jovens no país. Mais abaixo, nos Estados Unidos da América, o fenómeno segue contornos semelhantes: as tentativas e ideias suicidas entre as crianças e adultos quase duplicaram entre 2008 e 2015, sendo que o problema também é maior no que toca às raparigas.
 
Dois outros estudos, realizados por investigadores alemães e norte-americanos, também reforçaram a tese de que os jovens que passam mais tempo no Facebook acabam por ter inveja dos amigos e a sensação de que os outros têm uma vida melhor que a sua. O mesmo não se pode dizer dos jogos online, onde não foram encontradas evidências de efeitos negativos.
 
Fonte: Lusa

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