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Saúde
Utilização de raios ultravioleta melhora diagnóstico e tratamento do cancro
quinta-feira, 13 fevereiro 2020 11:59
Um investigador do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) desenvolveu uma técnica que, ao recorrer à luz ultravioleta, aumenta a transparência dos tecidos biológicos e permite “melhorar o diagnóstico e tratamento” do cancro.
 
“A aplicação destas tecnologias óticas em Medicina pretende substituir as tecnologias atuais de diagnóstico e tratamento que utilizam radiação ionizante (raio-x)”, esclarece Luís Oliveira, o investigador do ISEP responsável pelo desenvolvimento da técnica, em declarações à agência Lusa.
 
A técnica surge da necessidade de se desenvolverem “métodos de diagnóstico, e até de tratamento, que não danifiquem as células 'boas' que o corpo humano tem”, acrescenta o investigador do Centro de Inovação em Engenharia e Tecnologia Industrial (CIETI) do ISEP.
 
O estudioso analisou tecidos biológicos saudáveis e tecidos da camada muscular do cólon de doentes com cancro nessa área, em colaboração com o Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto e com a Universidade Estatal de Saratov, na Rússia. Tendo em conta que os tecidos do corpo humano possuem propriedades que “limitam a aplicação de luz” em procedimentos clínicos, o investigador optou por “trocar parcialmente a água intersticial dos tecidos [solução aquosa presente entre as células] por outro agente”.
 
Ao mergulhar os tecidos biológicos em soluções aquosas com diferentes concentrações de glicerina, Luís Oliveira conseguiu “observar a criação de duas janelas óticas de transparência”, o que permite chegar a um diagnóstico mais eficaz e, “eventualmente, até eliminar um tumor que está entranhado no interior de um tecido”, prossegue o investigador.
 
“A luz ultravioleta consegue penetrar mais fundo nos tecidos, sem se espalhar, permitindo adquirir imagens médicas de camadas mais profundas e, ainda, realizar cirurgias para remoção de tumores que se encontrem no interior dos tecidos”, adianta.
 
Luís Oliveira realça que a investigação abre novas portas, em particular no que toca a realização de diagnósticos e tratamentos de forma não invasiva: “Devido à localização espectral destas novas janelas, [a técnica] poderá permitir, entre outras aplicações, estabelecer novos protocolos de diagnóstico para o cancro, cirurgia UV, imagiologia UV, proceder ao estudo do DNA ou realizar histologia de tecidos in vitro”, conclui.
 
O investigador já procedeu à submissão da técnica a um pedido de patente nacional, e os colegas da Universidade Estatal de Saratov um pedido de patente russa, sendo que o objetivo passa agora por conseguir a patente internacional.
 
Fonte: Lusa

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