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Saúde
Eutanásia: mais velhos e religiosos são os que menos concordam
segunda-feira, 17 fevereiro 2020 12:02
As atitudes mais desfavoráveis à eutanásia são dos mais velhos, com menor nível de escolaridade e que se identificam com uma religião. Os dados foram revelados por um estudo do Laboratório de Investigação em Psicologia (LabPSI) do Instituto Universitário Egas Moniz (IUEM), no qual mais de metade dos inquiridos se mostrou favorável à eutanásia.
 
A investigação, cujos resultados serão apresentados amanhã, dia 18 de fevereiro, avaliou as atitudes da população portuguesa face à eutanásia, em articulação com fatores de ordem psicológica, designadamente a solidão, a satisfação com a vida, o mal-estar psicológico, o bem-estar espiritual e a personalidade.
 
Os dados, recolhidos entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano, indicam que entre os 1695 inquiridos, mais de metade (50,5%) revelou atitudes favoráveis face à eutanásia, um quarto (25,6%) reportou atitudes desfavoráveis e os restantes (23,9%) manifestaram indecisão quando à matéria.
 
“Verificou-se que os inquiridos com idades mais avançadas, com um menor nível de escolaridade, que se identificaram com uma determinada religião e reportaram prática da mesma, que consideraram ter um estado de saúde mais debilitado e que referiram possuir uma menor informação sobre a eutanásia são aqueles que integram o grupo dos sujeitos com atitudes mais desfavoráveis face à eutanásia”, adiantaram os investigadores.
 
Por outro lado, “os inquiridos mais jovens, com um maior nível de escolaridade, sem identificação com qualquer religião, que consideram ter um melhor estado de saúde, bem como um maior grau de informação sobre a eutanásia, representam o grupo dos sujeitos com atitudes mais favoráveis”, acrescentam.
 
A maioria dos inquiridos revelou uma preferência pelo referendo popular pela tomada de decisão acerca da despenalização (63,7%), sendo esta opção ligeiramente mais evidente nos homens (66,6%) do que nas mulheres (61,7%). Ainda assim, cerca de um quarto da população (23%) referiu não saber qual a melhor forma de decisão, e 13,3% dos participantes manifestaram preferência pela decisão parlamentar.
 
Mais de metade (56%) disse ter um grau moderado de informação sobre a eutanásia, e a percentagem de inquiridos que se posicionou na camada da baixa e nula informação (22,1%) é aproximadamente a mesma daqueles que se enquadraram na de elevada e muito elevada informação sobre a eutanásia (21,6%).
 
Perante o cenário de uma pessoa com doença terminal que pede para aliviar a dor e sofrimento e que sejam usados meios ativos como uma injeção letal, a maioria dos inquiridos (59%) apoiaria o pedido. Também no caso de uma pessoa com doença terminal que, para aliviar a dor e sofrimento, pede que sejam utilizados meios passivos, como a retirada de tratamento ou equipamentos que permitem manter a vida, a maioria (68%) apoiaria o pedido.
 
Os investigadores concluem que os inquiridos tendem a aceitar melhor as “práticas de eutanásia orientadas para a retirada de respostas que permitem a manutenção da vida do que para o recurso a estratégias que induzam a morte”.
 
Por outro lado, no caso de uma pessoa em estado de coma e com doença terminal, incapaz de dar o seu consentimento para pôr termo à vida, 43% dos inquiridos dizem que não apoiariam que os familiares solicitassem o recurso à eutanásia. Também no caso de um pedido de eutanásia associado ao intenso sofrimento psicológico de uma pessoa sem doença terminal, mais de metade (56%) recusaria o pedido, sendo que penas 18% dos inquiridos apresentaram uma opinião favorável.
 
“Estes dados parecem sinalizar que a inexistência de uma doença terminal, conotada com sofrimento físico, está relacionada com uma menor aceitação da eutanásia, ainda que possa existir um intenso sofrimento psicológico”, revelam os autores do estudo.
 
Quanto a uma pessoa sem doença terminal, mas com demência irreversível grave e que ainda num estado de lucidez tenha solicitado a prática, caso um dia se encontrasse num estado em que não tivesse capacidade para fazer tal pedido, a maioria (51%) diz apoiar.
 
“Este dado parece refletir a primazia pelo respeito à autodeterminação quanto à antecipação da morte, desde que realizada num estado de lucidez”, concluem os investigadores.
 
Fonte: Lusa

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