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Saúde
Rotulagem alimentar em discussão: modelo ideal e importância da uniformização
terça-feira, 18 fevereiro 2020 10:20
Qual o rótulo nutricional alimentar ideal? Quais as vantagens e perigos de cada um? Num país em que 40% dos consumidores portugueses revela não compreender a informação nutricional dos rótulos, Serge Hercberg – "pai" do Nutri-Score -, empresas de retalho e distribuição – Auchan, Danone, Nestlé e Sonae – e associações públicas foram alguns dos intervenientes que se reuniram para discutir o sistema de rotulagem e a vantagem da unicidade europeia. A conferência teve lugar no dia 13 de fevereiro, no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).
 
Começando por apresentar o sistema Nutri-Score, Serge Hercberg defendeu a importância deste método, por um lado para “ajudar os consumidores a fazer escolhas”, dada a sua componente intuitiva e credível, e, por outro, “incentivar os fabricantes a reformular a composição dos produtos”, para terem os melhores artigos. Se o conferencista considera fácil distinguir a qualidade nutricional de um brócolo face uma pizza, o mesmo não acontece quando queremos comparar pizzas. O Nutri-Score, “considerando sempre 100g e não a porção individual do alimento”, através do seu código de cores e letras A-E, vai dar este apoio na comparação de produtos da mesma categoria – bens substituíveis -, “de forma rápida e clara”, defendeu.
 
A nível do impacto na mortalidade, o médico e investigador do Nutri-Score afirmou ter concluído através de um estudo que 3,4% das mortes por doenças crónicas foram evitadas ou retardadas com a mudança na dieta trazida por este modelo. Em Portugal, o "pai" do Nutri-Score adiantou que os resultados preliminares de um estudo que replica o protocolo do FOP-ICE (Front-of-Pack International Comparative Experimental), que havia sido feito em 12 países, mostra que os resultados de Portugal estão alinhados com os demais, sendo o Nutri-Score “o modelo que melhor ajuda o consumidor a classificar corretamente a qualidade nutricional dos alimentos”.
 
Se por um lado a Auchan, a Danone e a Nestlé, nas pessoas de Paulo Monteiro, Pedro Neves e Gonçalo Granado, respetivamente, se mostraram pró Nutri-Score, com presente ou futura implementação do modelo, a Sonae, representada por Ondina Afonso, defende o uso do modelo do semáforo nutricional, por “discriminar o açúcar, o sal, a gordura e a gordura saturada”, ao contrário do Nutri-Score, que “não permite saber o valor exato”. Para a diretora de Qualidade e R&D da Sonae MC, este é o primeiro entrave do modelo Nutri-Score, por não dar a informação necessária a uma pessoa que tenha hipertensão, por exemplo. Por outro lado, receia que “a interpretação de uma pizza e um iogurte serem de categoria B leve a ações erradas”.
 
Sendo comum a todos a palavra de ordem “harmonização”, Gonçalo Granado, diretor de comunicação da Nestlé, considera vital a “uniformização, para que em qualquer país consigamos interpretar”, acrescentado que “se o Nutri-Score não fornece informação a uma pessoa que tem de fazer uma dieta baixa em sódio, a pessoa pode olhar para a parte de trás do rótulo”, onde obtém informação detalhada. O facto de existirem sete países que já adotaram a Nutri-Score é, na visão de Paulo Monteiro, diretor do programa Vida Saudável da Auchan, um elemento aglutinador.
 
A mesa institucional que marcou a segunda parte da conferência tratou com especial enfoque o tema da uniformização. Das várias intervenções, registou-se a convicção de Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, de que é urgente “um sistema único voluntário”, sendo “confundidor haver mais que um modelo”. Coordenadora da Área Alimentar da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO), Dulce Ricardo mostrou apoiar o Nutri-Score. De opinião contrária, Marta Borges, da Divisão de Alimentação Humana da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), considerou que esse modelo incorpora o “âmbito da alegação nutricional”.
 
A encerrar a conferência, tomou palavra Maria João Gregório, diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde (DGS), que garantiu que “a DGS apoiará a implementação de qualquer sistema de rotulagem nutricional simplificado”, que garante aos consumidores portugueses “três a cinco vezes mais facilidade em escolher o produto mais saudável”. Também João Torres, secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor salientou que “não há um lado certo nem errado”, sendo a “alimentação saudável o denominador comum”, e a “literacia alimentar a estratégia angular”.
 
Adotado para já na França, Bélgica e Espanha com uso opcional, e por alguns produtores da Áustria, Suíça e Eslovénia, existe uma petição aberta que terá de reunir um milhão de assinaturas em pelo menos sete países para que o Nutri-Score possa vir a tornar-se obrigatório na Europa. O dia anterior a esta conferência ficou marcado pela adesão do Luxemburgo a este sistema, a par da PepsiCo.
 

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