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Saúde
Doenças do aparelho circulatório dominam causas de morte
sexta-feira, 28 fevereiro 2020 10:10
A propósito da divulgação de um documento do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre as principais causas de morte em Portugal no ano de 2018, entre elas as doenças do aparelho circulatório, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) comparou os números com os do ano anterior, concluindo que as doenças do aparelho circulatório continuam a dominar as causas de morte entre os portugueses.
 
“Numa primeira análise, constata-se que ocorreram mais óbitos (+3.7%), no entanto, os mesmo ocorreram mais tarde: a idade média do óbito foi de 78,5 anos, mais elevada que no ano anterior (78,2 anos). É certo que as doenças do aparelho circulatório continuam a dominar as causas de morte, registando-se um aumento global de 1,7% valor que corresponde a 29% de todas as causas de morte (número absoluto de mortes por doença do aparelho circulatório: 32936)”, sublinha Victor Gil, presidente da SPC.
 
A taxa de mortalidade por doenças do aparelho circulatório foi de 318,3 por 100 mil habitantes. Este é o valor mais elevado desde 2008, ainda que com uma diminuição da proporção em relação ao total de mortes (32,3% em 2008) e da mortalidade prematura (antes dos 70 anos), resultando uma descida 11,2 para 10,3 do número de anos potenciais de vida perdidos. Na última década, verifica-se uma estagnação nas taxas de mortalidade por doenças cardiovasculares, ainda que com alguma tendência para subida lenta desde 2013.
 
“Relativamente à situação clínica individualizada, o acidente vascular cerebral (AVC) é a primeira causa de morte em Portugal (9,9% do total de mortes, com taxa bruta de mortalidade de 108,8 por 100 mil habitantes), no entanto, importa ressalvar que tem sido registada uma redução gradual na última década (em 2008: 13,9%), acrescenta o responsável.
 
A análise aos dados do enfarte do miocárdio concluiu que, em 2008, a patologia correspondia a 5% de todas as mortes. Esta percentagem baixou até 2015, mantendo-se nos 4.1%. O número de óbitos por enfarte do miocárdio (4620) aumentou em 2018 mais 1.7% em relação ao ano anterior, ainda que com ligeira diminuição do número absoluto de mortes antes dos 65 anos (854 em 2017, para 822 em 2018). A mortalidade por enfarte do miocárdio continua a atingir preferencialmente os homens, sendo a idade média do óbito nas mulheres 7.8 anos mais tarde que nos homens (81.4 anos nas mulheres e 73.6 anos para os homens).
 
“A chamada doença isquémica do coração, provocou 6,4% do total da mortalidade. Esta entidade é, todavia, de mais difícil análise pois deve incluir situações heterogéneas incluindo insuficiência cardíaca que, como entidade, não tem até agora, representação estatística”, salienta o presidente.
 
Victor Gil acrescenta ainda que “os dados agora apresentados estão em linha com outras análises, nomeadamente a efetuada pela SPC com base no ATLAS 2, onde foram comparados os números portugueses com países europeus e na vizinhança da Europa. Nessa análise foi sublinhada a elevada mortalidade por AVC e a baixa mortalidade por doença coronária, em relação aos países comparadores”.
 
“A mortalidade cardiovascular continua a dominar as causas de morte em Portugal e dentro dela é o AVC a primeira causa de morte. A mortalidade por enfarte do miocárdio mantém-se em patamar”, conclui.
 

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