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Saúde
Custos da diabetes ultrapassam os 740 milhões de euros em 2018
terça-feira, 03 março 2020 11:46
Os custos da diabetes em Portugal ultrapassaram os 740 milhões de euros em 2018, despesa que se deve sobretudo à terapêutica em ambulatório e aos internamentos em que a doença aparece como diagnóstico associado. Os dados foram revelados num relatório divulgado hoje, dia 3 de março, pela Direção-Geral da Saúde (DGS).
 
Segundo o Relatório do Programa Nacional para a Diabetes: Desafios e Estratégias 2019 da DGS, a despesa direta identificada em pessoas com diabetes (considerando a terapêutica de ambulatório da diabetes, a sua monitorização e os internamentos dos doentes) foi avaliada em 740,7 milhões de euros.
 
O que mais contribui para este valor são os custos dos internamentos que têm a diabetes como diagnóstico associado (346,3 milhões) e os custos com os antidiabéticos não insulínicos em ambulatório, que atingiram os 316,3 milhões.
 
Ainda assim, o documento realça a evolução positiva decrescente dos custos associados a internamentos por complicações crónicas da doença, que passaram de 11,33 milhões em 2017, para 10,23 milhões de euros em 2018.
 
O relatório indica também que o consumo e os custos da medicação para a diabetes têm aumentado nos últimos anos, o que se deve sobretudo ao maior número de pessoas diagnosticadas e medicada com novos fármacos, mais dispendiosos.
 
“Desde 2015, o consumo de insulina aumentou sobretudo pela maior utilização dos análogos de ação prolongada, os quais, em 2018, foram responsáveis por mais de metade dos gastos com insulinas”, pode ler-se no relatório, sublinhado que entre 2015 e 2018 o consumo de insulina, avaliado pelo número de embalagens consumidas, aumentou cerca de 10% e os custos cresceram também cerca de 10%.
 
O consumo de antidiabéticos não insulínicos, em número de embalagens, cresceu 11%, mas os custos subiram 25% entre 2015 e 2018, ultrapassando os 101 milhões.
 
O relatório salienta ainda a necessidade de reforçar as medidas de prevenção e controlo, bem como de rastreio das complicações da doença e a articulação e capacidade de resposta dos Cuidados de Saúde Hospitalares.
 
Continua a verificar-se um elevado número de admissões de pessoas com diabetes, que mantém uma tendência crescente, segundo o documento. Em Portugal, são registadas anualmente entre 60 mil e 70 mil novos casos de diabetes, a maioria do tipo II.
 
O país apresenta uma prevalência da doença acima da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), para a qual contribuem fatores como o sedentarismo, alguns hábitos alimentares e a obesidade e excesso de peso da população.
 
De acordo com o relatório, as crianças e jovens com diabetes já estão a receber tratamento através de dispositivos de Perfusão Subcutânea Contínua de Insulina (“bombas de insulina”). A cobertura total da população até aos 18 anos foi atingida no final do ano passado, com a aplicação do despacho que veio permitir a cobertura de todas as crianças elegíveis até aos 10 anos até ao final de 2017, de todas as crianças elegíveis até aos 14 anos até ao final de 2018 e previu o acesso a tratamento com estes dispositivos a toda a população elegível até aos 18 anos até ao final de 2019.
 
O documento regista ainda “um aumento das chamadas para o SNS 24 relacionadas com a diabetes” e indica que o rastreio de retinopatia diabética apresenta uma cobertura geográfica de 82% e que diminuíram as amputações dos membros inferiores devido à diabetes.
 
“Mais de oito mil chamadas foram realizadas para o SNS24 por problemas relacionados com a diabetes, um número que tem vindo a crescer desde 2014. Este é um serviço com boa capacidade de resposta e potencial para responder a mais chamadas por diabetes, o que pode resolver de imediato alguns problemas dos utentes com esta patologia e reduzir a afluência desnecessária aos serviços de urgência”, refere o relatório.
 
Nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), 12,5% das pessoas admitidas têm diabetes, embora o motivo da admissão possa ser por outra causa, adianta o relatório.
 
Em 2017 e 2018, a diabetes foi responsável por 4.143 e 4.292 mortes, respetivamente, correspondendo em ambos os anos a 3,8% das mortes em Portugal, uma percentagem que tem vindo a diminuir desde 2012 (4,5%).
 
Fonte: Lusa

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