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Saúde
Semana Mundial do Glaucoma: doença é a principal causa de cegueira irreversível no mundo
segunda-feira, 09 março 2020 11:32
No âmbito da Semana Mundial do Glaucoma, assinalada de 8 a 14 de março, o Grupo Português de Glaucoma da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) alerta para a importância da prevenção dos fatores de risco como a única forma de atrasar a progressão da doença, que afeta cerca de 200 mil portugueses e é a principal causa de cegueira irreversível em todo o mundo.
 
“Não havendo cura para o glaucoma, o tratamento deve ser dirigido à prevenção da sua progressão”, esclarece o oftalmologista Flávio Alves, coordenador do Grupo Português de Glaucoma da SPO, acrescentando que “a única forma comprovadamente eficaz de atrasar a progressão do glaucoma consiste na diminuição da pressão intraocular”.
 
O especialista define o glaucoma “como uma doença do nervo ótico (neuropatia ótica) progressiva, com alterações estruturais características, nomeadamente a diminuição da espessura da camada de fibras nervosas da retina (que dão origem ao nervo ótico), o aumento da escavação da cabeça do nervo ótico e perdas no campo visual que podem evoluir para a cegueira”, começa por explicar.
 
São vários os tipos de glaucoma, “que se pode classificar quanto à sua causa em primário (sem causa identificada) ou secundário (com causa identificada) e quanto ao estado do ângulo que se forma entre a íris e a córnea (local por onde é feita a drenagem do humor aquoso, o líquido que preenche a parte anterior do olho) em de ângulo aberto ou fechado”.
 
Independentemente do tipo de glaucoma, “sem tratamento, a maioria dos glaucomas leva à perda progressiva e irreversível da visão”, salienta.
 
Nesse sentido, o especialista refere que, no caso de existirem fatores de risco, a consulta com um oftalmologista deve ser o mais precoce possível: “Na ausência destes ou de qualquer suspeita da doença, é aconselhável, a partir dos 40 anos, uma visita anual ou de dois em dois anos”, recomenda.
 
Em Portugal, o tipo de glaucoma mais frequente é o glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA), “geralmente assintomático até fases muito avançadas da sua evolução, o que acontece porque na maior parte dos casos a perda de visão ocorre inicialmente na periferia do campo visual, de forma lenta, gradual e assimétrica em ambos os olhos, o que faz com que os doentes com os dois olhos abertos não se apercebam de qualquer alteração da sua função visual”, realça o especialista.
 
Além dos fatores oculares, como a hipertensão ocular ou uma miopia elevada, existem outros fatores de risco associados ao glaucoma, como é o caso de fatores demográficos. De acordo com Flávio Alves, os africanos apresentam uma prevalência maior do glaucoma, que aumenta com o envelhecimento, assim como a existência de um familiar direto com a doença, “que representa um aumento do risco”, conclui.
 

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