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Saúde
Perdas de urina afetam 35,1% das mulheres portuguesas
sexta-feira, 13 março 2020 12:46
A prevalência de perdas de urina em mulheres portuguesas é de 35,1%, ao passo que a média europeia se encontra entre os 18% e os 42%. Os dados foram revelados num estudo desenvolvido pela Unidade de Uroginecologia do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Medicina da Reprodução do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHLN), no âmbito do Dia Mundial da Incontinência Urinária, assinalado amanhã, dia 14 de março.
 
Das 2226 mulheres inquiridas, 781 confirmaram ter perdas de urina. Contudo, apenas 28% tinham diagnóstico de incontinência urinária confirmado e dessas só 21% iniciou algum tipo de tratamento.
 
“O último estudo, realizado em 2008, indicava que a prevalência de incontinência urinária era de 21,4%. Podemos concluir que 12 anos depois a prevalência é muito mais alta do que se pensava e que é necessário consciencializar para a importância do diagnóstico e tratamento da incontinência urinária”, refere Catarina Reis Carvalho, autora do estudo e médica no Hospital de Santa Maria.
 
Dos 21% dos casos que iniciaram tratamento, 19,5% fazem tratamento farmacológico, 4% realizaram cirurgia e 2% referiram ter utilizado outros métodos, como a fisioterapia. De acordo com o estudo “Incontinência Urinária na Mulher”, 12% afirmam ter conseguido curar a incontinência urinária, ao passo que 22,4% referem ter tido melhorias significativas com o tratamento.
 
Os dados recolhidos apontam ainda potenciais fatores de risco para a doença. Cerca de 80,2% das mulheres que afirmaram ter perdas de urina tiveram pelo menos um parto vaginal e 76,2% estavam em pós-menopausa. Por outro lado, 27,3% referiram ter infeções urinárias de repetição, 15,2% tinham sido submetidas a histerectomia e 14,3% confessaram ser fumadoras. De apontar ainda que 8,2% das inquiridas tinham obesidade (IMC superior a 30kg/m2).
 
A incontinência urinária é uma doença que se caracteriza pela perda involuntária de urina, estando muitas vezes associada à síndrome de bexiga hiperativa. Esta, por sua vez, consiste na contração involuntária dos músculos da bexiga enquanto se enche de urina, podendo levar as pessoas a ter de ir à casa de banho mais de oito vezes por dia e duas a três vezes por noite. A bexiga hiperativa tem um grande impacto na qualidade de vida dos que dela sofrem, levando muitas pessoas a isolar-se e a sentir vergonha.
 
Este estudo revela que o impacto da incontinência urinária depende do grau de aceitação e adaptação à doença, sendo maior nas mulheres que têm menos de 60 anos. Cerca de 14,6% das inquiridas afirma que a incontinência urinária interfere com cinco ou mais atividades do seu quotidiano.
 
“Sendo uma doença com tanto impacto na vida das mulheres, é urgente consciencializar para a importância de um diagnóstico precoce e um tratamento adequado. Atualmente já existem vários tipos de tratamento para esta patologia e, por isso, não há motivo para continuar a sofrer em silêncio. A incontinência urinária não deve ser vista com uma consequência normal da idade com a qual as pessoas têm de viver, na maior parte dos casos tem tratamento ou é possível fazer algo que melhore muito a qualidade de vida”, esclarece. Alexandre Lourenço, responsável pela Unidade de Uroginecologia do Hospital de Santa Maria.
 
Os principais sintomas associados à bexiga hiperativa são a urgência (vontade súbita de urinar), a frequência miccional aumentada (necessidade de urinar com frequência) e a perda voluntária de urina quando se sente uma necessidade forte e súbita de ir à casa de banho. Muitas das vezes estes sintomas podem levar a perdas de urina em locais menos oportunos, o que pode gerar situações constrangedoras e levar ao isolamento.
 

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