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Marcha atópica: podem os emolientes preveni-la?
segunda-feira, 24 junho 2013 10:03

artigo BXP52462 ac078A marcha atópica, com progressão para diferentes formas clínicas de expressão da atopia, é uma realidade com documentação científica crescente, mas não uma inevitabilidade em cada criança com dermatite atópica (DA).

 

 

"A evidência de fatores genéticos, tanto na constituição e funcionalidade da barreira epidérmica como na resposta imunológica, é determinante para esta progressão", assegura Margarida Gonçalo, chefe de serviço de Dermatologia, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, assistente convidada de Dermatologia da FMUC. Contudo, ressalva que os tais determinantes "são significativamente modulados por fatores ambientais e, de momento, apenas nestes poderemos intervir no sentido de alterar a marcha atópica".


Segundo explica a especialista, "a mutação da filagrina (FLG), que determina um defeito da barreira epidérmica, está associada a maior gravidade e início mais precoce da DA, valores elevados da IgE e sensibilização a alérgenos ambientais com progressão mais frequente para asma alérgica".


Acontece que, mesmo na ausência da mutação de FLG, "a barreira epidérmica é deficitária, com maior acessibilidade dos alérgenos ambientais às células dendríticas carregadas de IgE, gerando-se uma inflamação que facilita a sensibilização", completa Margarida Gonçalo.


E acrescenta: "A colonização da pele atópica por Staphylococcus aureus, produtores de proteases e ceramidases que danificam o estrato córneo, favorece a polaridade Th2, com elevação da IgE e eosinofilia, também marcadores de progressão da marcha atópica."


O controlo mantido da DA (com corticoides tópicos e outros imunomoduladores, particularmente na forma de tratamento pró-ativo) tem uma influência positiva na gravidade da asma, mas são poucos os dados sobre a sua influência no seu aparecimento da asma de novo.


É conhecida a importância da barreira epidérmica na patogenia da DA e a sua influência na sensibilização a antigénios ambientais. "É assim de admitir que, se adotarmos medidas tendentes a não danificar a barreira epidérmica, ou até a promover a sua reparação com alguns emolientes, estas medidas que beneficiam a DA também possam ter algum efeito na marcha atópica", explica Margarida Gonçalo.


Considera ser importante saber que estes emolientes são apenas um complemento do tratamento nas fases ativas e devem ser mantidos de forma prolongada depois da resolução clínica da inflamação, de modo a tentar compensar o mais possível o défice constitucional.


"São conhecidos alguns biomarcadores genéticos e imunológicos associados a tendência à progressão da marcha atópica, mas não são completamente fidedignos para estratificar precocemente a intervenção, nem estão demonstradas quais as medidas realmente capazes de modificar esta marcha atópica DA", conclui, frisando que "os emolientes serão, muito provavelmente, um dos pilares destas medidas".

 

Texto publicado na Edição Extra da revista Children's Medicine, junho 2013

 

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