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Saúde
Um em cada três portugueses não sobrevive a um AVC
terça-feira, 31 março 2020 11:38
Apesar da redução da taxa de mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC), a doença continua a representar a principal causa de morte e de incapacidade permanente em território nacional. Por hora, três portugueses sofrem um AVC, um dos quais não sobrevive. Dos restantes, metade ficará com sequelas incapacitantes. Este ano, o Dia Nacional do Doente com AVC, assinalado hoje, dia 31 de março, será celebrado à porta fechada, cumprindo as recomendações de distanciamento social para contenção do vírus SARS-CoV-2. No entanto, o significado da data permanece o mesmo: alertar para a realidade do sobrevivente do AVC, recordando que há vida depois da doença.
 
“Ser vítima ou ser sobrevivente de um AVC por si só não coloca o doente em maior risco de ter covid-19, nem há estudos que permitam dizer que os doentes com covid-19 estejam em risco de vir a ter um AVC”, esclarece Miguel Rodrigues, neurologista e membro da direção da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC).
 
Ainda assim, o especialista salienta que “muitas pessoas que sofreram um AVC pertencem a um grupo de risco por serem idosos, estarem mais fragilizados ou terem uma doença crónica, como diabetes, hipertensão arterial, doença cardíaca, doença respiratória ou doença renal crónica”. Nesse sentido, o responsável considera ser “muito importante que os doentes que pertencem a grupos de risco mantenham distanciamento social e permanência no domicílio durante a pandemia, como recomendado pelas autoridades de saúde”.
 
A Sociedade sublinha ser necessário evitar que o isolamento social e a menor mobilidade seja fonte de preocupação, sendo necessário reforçar o papel da prevenção, que implica o reconhecimento dos sinais de alerta de AVC, e a identificação dos fatores de risco cerebral, a serem evitados e/ou controlados.
 
“A população deve estar informada sobre os sinais de alerta de AVC, os chamados três F’s – falta de força num braço; desvio da face; e dificuldade na fala – e saber que, perante o aparecimento de um deles, a única atitude correta é a de acionar de imediato os serviços de emergência, através do 112”, lembra Castro Lopes, presidente da SPAVC.
 
E acrescenta: “A Via Verde do AVC está organizada em Portugal para encaminhar os doentes rapidamente para os hospitais capazes de fornecer os tratamentos adequados. Tempo é cérebro, e está nas mãos de cada um agir o mais rapidamente possível”.
 
“Como é sabido, dispomos hoje de tratamentos inovadores de fase aguda, como a trombólise farmacológica e a trombectomia mecânica, que aumentam as taxas de sobrevivência e reduzem a incapacidade, e que serão tanto mais eficazes quanto mais cedo forem administrados”, salienta o neurologista, frisando que este tratamento deverá continuar a ser assegurado a todos os doentes com AVC no país e arquipélagos.
 
Em plena pandemia, a entidade apela ao reforço das medidas de prevenção do AVC, com especial destaque para a adoção de uma alimentação saudável, equilibrada e variada e a prática regular de atividade física, ajustada à idade e aos condicionamentos circunstanciais. Mesmo em casa, é possível realizar exercícios de mobilidade, alongamentos e treinos de força para se manter fisicamente ativo.
 
Por fim, a luta pelo acesso à reabilitação cumpre ainda um papel mais importante em cenários de pandemia, onde esta intervenção é muitas vezes descurada. O presidente e fundador da SPAVC explica que “esta Sociedade tem vindo a frisar que a reabilitação não é uma esmola, mas sim um direito. É necessário lutar para garantir aos sobreviventes de AVC esta intervenção até à recuperação das capacidades perdidas devido ao episódio vascular cerebral – durante uma vida inteira, se for preciso”.
 
Embora a data seja assinalada de forma diferente este ano, sem eventos públicos e num panorama de preocupação face à pandemia de covid-19, “a SPAVC continua a comunicar as mensagens essenciais de prevenção do AVC, dos direitos ao acesso ao tratamento agudo em centros de AVC e, claro, da dignidade dos sobreviventes”, conclui Castro Lopes.
 

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