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Saúde
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Cerca de 900 pessoas vivem com a doença de Chagas em Portugal, e a maioria não sabe

Por: Daniela Filipe

terça-feira, 14 abril 2020 12:57
“Esquecida e silenciosa”. É assim que Jorge Seixas, médico e professor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa (IHMT NOVA), descreve a doença de Chagas, cujo Dia Mundial é assinalado hoje, dia 14 de abril. De acordo com as estimativas em Portugal, cerca de 900 pessoas têm doença de Chagas, a grande maioria sem sintomas e sem diagnóstico. Os casos diagnosticados, principalmente na população brasileira residente, apresentam, geralmente, doença cardíaca grave.
 
A doença de Chagas é uma doença tropical que, devido ao aumento das deslocações e movimentos migratórios, se espalhou para outros continentes, nomeadamente a Europa. Causada pela picada de insetos, pode também ser transmitida pelo sangue, transplantação ou da mãe para o feto. Atualmente, estima-se que a parasitose afete cerca de sete milhões de pessoas em todo o mundo. Além disso, 10 mil pessoas morrem anualmente devido às complicações desta infeção, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
 
Para o especialista, o principal problema associado à doença é o seu desconhecimento: “A falta de informação sobre a doença e o tratamento, associados ao estigma, contribuem para o aumento do número de casos e a evolução para complicações graves. A doença de Chagas é tradicionalmente vista como uma doença dos pobres. O estigma social é um dos maiores entraves à procura de cuidados médicos atempados”, esclarece.
 
O médico acrescenta: “Silenciosa e assintomática após a fase aguda, a pessoa ignora que está infetada e não procura o médico. Algumas destas pessoas (20 a 30%) desenvolvem, décadas depois, doença cardíaca ou intestinal que geralmente é grave. Existem medicamentos que podem levar à eliminação do parasita, impedindo a transmissão pelo sangue e órgãos, a passagem do parasita da grávida ao filho e o desenvolvimento de doença grave. O diagnóstico laboratorial é imprescindível para identificar todos os portadores da infeção”.
 
Nesse sentido, Jorge Seixas considera que é necessário preciso “fazer mais e melhor para que em Portugal todos os doentes sejam devidamente diagnosticados e tratados”, encarando o Dia Mundial da Doença de Chagas, instituído pela ONU, como “uma oportunidade para aumentar a visibilidade e a consciência sobre esta doença silenciosa e negligenciada”.
 
“O IHMT NOVA tem realizado ações de formação para aumentar o nível de alerta dos clínicos sobre a doença. Simultaneamente, é necessário sensibilizar a população, em particular as pessoas oriundas de zonas endémicas, para a importância do diagnóstico e tratamento, para prevenção das consequências graves e potencialmente fatais desta infeção”, conclui.
 
Desde 2015 que o Instituto Português do Sangue e da Transplantação realiza um teste de laboratório para doença de Chagas em todos os dadores que apresentam risco de ser portadores do parasita. Os doentes positivos são depois encaminhados para os especialistas em doenças infecciosas da área de residência para avaliação completa, tratamento e seguimento.

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