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Saúde
Semana Europeia da Vacinação: “Qualquer investimento que façamos em prevenção é preferível aos custos da cura”
segunda-feira, 20 abril 2020 11:22
A prevenção é, talvez, o tópico mais abordado atualmente, especialmente no que diz respeito aos grupos de risco, como é o caso de pessoas a partir dos 65 anos e quem, independentemente da sua idade, sofre de doenças crónicas. Se para a COVID-19 ainda não há vacina, a imunização já é uma realidade na prevenção de outras doenças graves, nomeadamente a pneumonia pneumocócica ou a gripe. Assim, no âmbito da Semana Europeia da Vacinação, que este ano se comemora entre os dias 20 e 26 de abril, o Movimento Doentes pela Vacinação (MOVA) relembra a importância da vacinação antipneumocócica.
 
Isabel Saraiva, fundadora do MOVA e presidente da Associação Respira e da Fundação Europeia do Pulmão relembra que “qualquer investimento que façamos em prevenção é preferível aos custos da cura. No caso da pneumonia, corremos riscos de mortes, morbilidades e sequelas graves”.
 
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a pneumonia mata uma média de 16 pessoas por dia. Em 2018, a doença foi responsável por 43.4% das mortes por doenças do aparelho respiratório, 5.1% do total de óbitos em Portugal.
 
“A vacinação deve ser uma prioridade ao longo da vida, em especial para os doentes crónicos e para quem tem mais de 65 anos. Correm maior risco de contrair doenças graves como a pneumonia pneumocócica e por isso devem ser protegidos. A pandemia COVID-19 que vivemos atualmente veio mostrar a fragilidade destes grupos e reforçar a necessidade de os protegermos contra esta e outras doenças”, frisa.
 
A proteção dos grupos de risco através de imunização tem vindo a ser defendida pelo MOVA, especialistas e associações de doentes que apelam à gratuitidade da vacina contra a pneumonia para as pessoas com mais de 65 anos, à semelhança do que já acontece com a vacina da gripe.
 
De acordo com o MOVA, é necessário olhar para a realidade portuguesa para não ignorar que 21% dos portugueses têm 65 ou mais anos: “São cerca de dois milhões de pessoas que, ao beneficiarem desta medida, acabam por contribuir para uma redução significativa de custos que rondam em média 80 milhões de euros anuais, só em internamentos”, explica a entidade.
 
Segundo Isabel Saraiva, esta ação tem “ganhos quantitativos e qualitativos”, permitindo “investir na saúde, a prevenir eventuais internamentos e, no limite, a reduzir significativamente o número de mortes”. Estudos revelam que por semana, a pneumonia provoca, em média, 161 mortes e um gasto de 1,5 milhões de euros, só em tratamentos e internamentos, não contabilizando outros custos indiretos e intangíveis.
 
Atualmente, existe uma recomendação de vacinação antipneumocócica a todos os adultos pertencentes aos grupos de risco, entre os quais idosos, diabéticos, doentes respiratórios crónicos, asmáticos, entre outros. A vacina é gratuita para as crianças, embora a eficácia esteja comprovada em todas as faixas etárias, incluindo em prevenir formas mais graves da doença.
 
A vacinação ao longo da vida é um dos objetivos do MOVA. Fundado há três anos pela Respira, durante a Semana Europeia da Vacinação, com o apoio da Fundação Portuguesa do Pulmão e do Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (GRESP), o organismo reforça ainda a importância de, “agora mais do que nunca, ficarem em casa, se protegerem e cumprirem a medicação”.
 

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