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Saúde
Sobreviventes de AVC sem acesso a reabilitação devido à pandemia
quarta-feira, 06 maio 2020 12:33
A maioria dos sobreviventes de acidente vascular cerebral (AVC) viram-se obrigados a interromper os tratamentos devido à COVID-19, denunciou ontem, dia 5 de maio, a Portugal AVC - União de Sobreviventes, Familiares e Amigos. A associação alerta ainda para as consequências da crise sanitária dos cuidados de saúde no prognóstico dos doentes afetados pela principal causa de morte em Portugal.
 
De acordo com o organismo, 91% dos doentes com indicação para cuidados de reabilitação reportaram terem sido obrigados a interromper os tratamentos ou não ter tido possibilidade de os iniciar, conforme um inquérito realizado entre 20 e 27 de abril e ao qual responderam 868 sobreviventes de AVC.
 
Por outro lado, apenas 15% dos inquiridos mantiveram as consultas de seguimento da forma habitual, ao passo que 66% referiram adiamento das consultas sem possibilidade de teleconsulta, uma opção utilizada por 19% dos inquiridos. Também 48% dos sobreviventes com consultas agendadas referiu ter tido exames cancelados ou adiados durante este período.
 
Cerca de um terço afirmou sentir-se pior ou muito pior relativamente ao seu estado geral de saúde com a situação gerada pela pandemia, uma percentagem que sobe para 44% entre os que habitualmente beneficiavam de cuidados de reabilitação. A curva atinge ainda os 50% naqueles que sofreram AVC há menos de um ano.
 
“Existe múltipla evidência científica que o atraso do programa de reabilitação individualizado e multidisciplinar leva a um agravamento do prognóstico funcional, conduzindo a uma pior integração e menor qualidade de vida, como o que se verificou durante este período”, reitera a entidade.
 
A maioria dos inquiridos (58%) mostrou sentimentos de maior nervosismo ou ansiedade, queixando-se de uma maior dificuldade na movimentação e/ou comunicação comparativamente ao período anterior à pandemia. As maiores preocupações prendem-se também com o processo de recuperação, bem como com o risco de ter um novo AVC. Dos inquiridos, 38% afirmou ainda que a situação atual está a ter repercussões negativas na sua economia familiar, muitas vezes já fragilizada.
 
Nesse sentido, a Portugal AVC considera ser “imperativo o investimento na expansão, readaptação e reorganização dos cuidados de reabilitação do AVC em Portugal, tanto a nível hospitalar bem como extra-hospitalar, com uma interligação que privilegie a proximidade entre as diversas entidades envolvidas”, sublinha.
 
“Todos os esforços devem ser feitos para manter os cuidados de reabilitação como prioritários, os quais devem ser vistos como um serviço essencial em futuras decisões relativamente a esta matéria. É crucial evitar as graves consequências secundárias ao tratamento inadequado do AVC, uma doença com mortalidade e incapacidade superiores à infeção por COVID-19 e que tem em Portugal uma prevalência particularmente elevada”, conclui.
 

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