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Saúde
COVID-19 matou menos do que a gripe durante o confinamento
quinta-feira, 04 junho 2020 09:30
O número de vítimas mortais provocadas pela COVID-19 em Portugal foi inferior ao verificado durante as epidemias de gripe, indica o Jornal de Negócios. A Direção-Geral da Saúde (DGS) contabilizou 2.700 mortes por semana no pico da COVID-19 no país, uma contagem inferior à verificada no início do ano e desde 2017 nos picos da gripe.
 
Segundo os dados do Ministério da Saúde, entre as épocas de gripe 2009/2010 e 2018/2019, foi na época de 2014/2015 que se verificou um maior número de mortos na semana que coincidiu com o pico da gripe — 3.177 de 12 a 18 de janeiro de 2015. O menor número foi na época 2009/2010, com 1.984 mortos entre 23 a 29 de novembro de 2009.
 
As únicas épocas de síndromes gripais cujos picos coincidiram com uma semana de maior mortalidade do que a COVID-19 foram 2011/2012 (2.952 mortos de 27 de fevereiro a 4 de março), 2014/2015 (3.177 de 12 a 18 de janeiro de 2015), 2017/2018 (2.867 de 1 a 7 de janeiro de 2018) e 2018/2019 (3.036 de 21 a 27 de janeiro de 2019).
 
Ana Paula Rodrigues, especialista em Saúde Pública no Departamento de Epidemiologia do Instituto Ricardo Jorge, explicou que a mortalidade após o pico de gripe no início do ano estabilizou em vez de baixar como faz normalmente.
 
Este ano tivemos um inverno ameno. Sentimos algum impacto na mortalidade relacionado com a epidemia de gripe. No entanto, a partir de março, detetámos um padrão de mortalidade diferente porque em vez de baixar, como seria natural, aumentava ligeiramente, e isso foi reportado às autoridades. Esse fenómeno foi ainda mais intenso em abril”, descreve a médica.
 
No entanto, a COVID-19 teve mesmo um impacto nas mortalidades em Portugal. Morreram 21 mil pessoas em março e abril, mais 13% do que a média registada no mesmo período entre 2009 e 2019. Desde o início do ano foram 48,5 mil as pessoas que perderam a vida, mais 1% do que no ano passado e mais 6% do que a média entre 2009 e 2019.
 
As estatísticas portuguesas demonstram um cenário menos negro do que o verificado em países como Espanha, França e Itália. Por lá, o número de mortes chegou a triplicar ao comparado com outros picos. A própria Organização Mundial de Saúde sublinhou que as vítimas mortais aumentaram em 159 mil em 24 países.
 
Este é o resultado das medidas de confinamento cumpridas em Portugal numa altura em que, segundo os especialistas da Escola Nacional de Saúde Pública, o número de doentes com COVID-19 internados nos Cuidados Intensivos seria o triplo na primeira quinzena de abril sem o confinamento imposto pelo governo a 19 de março.
 
Ainda assim, “tivemos períodos de excesso de mortalidade, sobretudo nas regiões mais abrangidas pela epidemia e tudo indica que este padrão esteja relacionado com a COVID-19″, alerta Ana Paula Rodrigues. Mas “em Portugal, travou-se o curso normal da epidemia”, prosseguiu a médica.
 
Fonte: Jornal de Negócios

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