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Saúde
Fármaco para combater o cancro da mama usa composto encontrado nos brócolos
sexta-feira, 05 junho 2020 09:30
Um novo fármaco baseado num composto natural encontrado em brócolos, couve de Bruxelas e outros vegetais pode ser eficaz para reverter ou mesmo impedir a resistência à terapia hormonal do cancro da mama, sugere um estudo científico da Universidade de Manchester, no Reino Unido.
 

Bruno Simões e outros cientistas da instituição descobriram que o medicamento SFX-01 poderá reverter ou mesmo impedir a resistência ao tratamento por bloquear uma via de sinalização importante do cancro chamada STAT3.

O fármaco foi desenvolvido com uma empresa britânica que estabilizou o composto sulforafano, que investigadores norte-americanos já tinham demonstrado ter efeitos no tratamento do cancro, e que Bruno Simões e os colegas testaram em ratinhos para garantir que a molécula estabilizada tinha o mesmo impacto. Depois, foi feito um teste clínico com mais de 40 doentes, que concluiu que 25% deles viram o seu cancro parar de progredir durante os seis meses que receberam tratamento. 

“Muitos destes cancros acabam por desenvolver resistências aos tratamentos. O que demonstrámos é que este composto consegue eliminar células resistentes ao tratamento”, disse o português, que é investigador num grupo liderado por Rob Clarke, diretor do Manchester Breast Centre da Universidade de Manchester.

O resultado do estudo foi publicado no passado dia 30 de maio na publicação ‘Oncogene’, ligada à revista científica Nature, e representa, segundo o investigador português, um exemplo de investigação translacional, que partiu de uma investigação básica do mecanismo biológico e teve uma aplicação real, estando agora em testes clínicos.  

Este fármaco vai continuar a ser desenvolvido com mais testes clínicos para testar a eficácia, mas Bruno Simões, que fez licenciatura na Faculdade de Ciências, em Lisboa, e concluiu o doutoramento em Bilbao, em Espanha, pretende concentrar-se na investigação de mecanismos de prevenção. 

“Quando o cancro da mama chega a um estado avançado, por mais drogas que tentemos usar só conseguimos atrasar um pouco a progressão, mas é difícil controlá-lo. Estamos interessados em estudar casos de mulheres de alto risco para identificar drogas que possam prevenir o cancro de ocorrer”, adiantou. 

Fonte: Lusa

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