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Saúde
Hormona para possível tratamento da obesidade é fator de risco para sépsis
terça-feira, 23 junho 2020 10:20
Investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) descobriram que uma hormona estudada como possível tratamento para a obesidade diminui a resistência contra infeções causadas por bactérias e constitui um fator de risco para a sépsis.
 
 
A sépsis é uma doença potencialmente fatal, que resulta da resposta desregulada do organismo a uma infeção, levando ao mau funcionamento dos órgãos. Estima-se que atualmente 20% das mortes no mundo sejam causadas por sépsis.
 
Para aprofundar o conhecimento sobre a doença, a equipa de Luís Moita, líder do estudo e investigador principal do Laboratório de Imunidade Inata e Inflamação do IGC, procurou verificar se a hormona conhecida como GDF15 (fator de crescimento e diferenciação 15) podia desempenhar algum papel na sépsis. Esta hormona tem a particularidade de estar a ser muito estudada por vários laboratórios e farmacêuticas como possível tratamento para a obesidade.
 
“Descobrimos um efeito crítico da GDF15 na infeção, o que é importante porque esta hormona aumenta em muitas doenças comuns, como obesidade, doenças pulmonares e cardiovasculares”, explica o responsável.
 
No trabalho, desenvolvido em colaboração com investigadores da França, Alemanha e Coreia do Sul, publicado recentemente na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences USA, os investigadores mediram os níveis de GDF15 em amostras de sangue de doentes com sépsis em tratamento em unidades de terapia intensiva, e compararam esses níveis com os de pessoas saudáveis e doentes com diagnóstico de apendicite.
 
Os resultados mostraram que as pessoas com sépsis tinha níveis mais aumentados de GDF15 em comparação com os outros grupos, e que os níveis mais elevados dessa hormona se correlacionavam com a mortalidade.
 
A investigação continuou com o estudo em ratinhos que não tinham o gene GDF15. Os resultados revelaram que esses ratinhos sobreviviam melhor a uma infeção bacteriana abdominal que imita a sépsis em humanos, sugerindo que esta hormona desempenha um papel causador de sépsis.
 
Os investigadores estudaram também o que estava na origem do aumento de sobrevivência nos ratinhos que não possuíam GDF15, observando que estes ratinhos eram capazes de recrutar substancialmente mais glóbulos brancos, especificamente neutrófilos, para o abdómen, controlando assim melhor a infeção localmente e impedindo que esta se alastrasse rapidamente para o resto do organismo.
 
“Numa altura em que muitos grupos e empresas farmacêuticas diferentes estão a considerar a administração de GDF15 como uma possível terapia complementar na obesidade, é importante ter em conta que esta estratégia terapêutica pode aumentar o risco de infeção grave, incluindo sépsis”, alerta Luís Moita.
 
Sobre os resultados obtidos neste trabalho de investigação, o cientista diz que “levantam a possibilidade de que a inibição da ação do GDF15, talvez usando um anticorpo monoclonal bloqueador, possa constituir um novo tratamento complementar em sépsis de forma a ajudar a controlar infeções locais graves e impedir que se tornem sistémicas e com risco de vida”, conclui.
 
Fonte: IGC

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