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Saúde
Diabetes pode ser causa e consequência da depressão
sexta-feira, 03 julho 2020 10:37
A maior parte das investigações científicas levadas a cabo nos últimos anos indicia que a diabetes pode conduzir os doentes a estados depressivos e até a agravá-los, mas o inverso também é uma possibilidade efetiva, como alertam os especialistas.
 
A diabetes, uma doença silenciosa, muitas vezes assintomática, que mata 12 pessoas por dia em Portugal, é um problema de saúde que não afeta apenas as pessoas com diabetes. Uma vez que esta doença tem implicações na saúde mental dos doentes, acaba por afetar também a vida dos que os rodeiam.
 
"Um estudo sobre diabetes e depressão publicado pelo Journal of Medicine and Life veio mostrar que a incidência desta última doença pode ser até duas vezes maior em doentes com diabetes tipo 2 e até três vezes superior nos doentes com diabetes tipo 1, em comparação com a população em geral", refere o Diabetes 365º, o projeto de literacia que pretende auxiliar os portugueses a viver com esta doença.
 
Quanto aos fatores que podem levar ao desencadeamento da depressão, a página online do Diabetes 365º distingue “o tipo de tratamentos a que está sujeito, o estilo de vida, a evolução e as complicações associadas à própria doença”, ou ainda o próprio diagnóstico. No entanto, as pessoas com diabetes que têm maior suscetibilidade para desenvolver depressão são "mulheres, pessoas com diabetes diagnosticada em idades jovens, [indivíduos] com mau controlo metabólico, com obesidade e/ou com complicações da doença ou [ainda cidadãos] em situação social vulnerável", afirma Raquel Carvalho, endocrinologista no Hospital CUF Infante Santo, em Lisboa.
 
O próprio diagnóstico da doença ou a aplicação da insulina, ainda tabu e sinónimo de inibição ou desconforto para muitos, podem ser outras das causas para o surgimento da depressão. "Há mecanismos fisiopatológicos subjacentes comuns a ambas as doenças. A desregulação do eixo hipotálamo hipofisário com aumento dos níveis de cortisol, a ativação do sistema imunitário com aumento de produção de citocinas pró-inflamatórias e fatores ambientais e genéticos são exemplos", refere Raquel Carvalho.
 
"Por outro lado, flutuações grandes de glicemia podem produzir alterações estruturais a nível cerebral, interferindo com o humor e a condição psicológica", explica ainda a médica endocrinologista.
 
Ovidiu Popa-Velea, um dos autores do estudo publicado pelo Journal of Medicine and Life, defende o recurso a uma abordagem psicológica da diabetes que tenha em conta os sintomas comportamentais do diabético "desde cedo" e que contemple a implementação de "intervenções psicoterapêuticas efetivas", sugere, sublinhando que “uma gestão correta da diabetes deve envolver uma ação conjunta entre o doente, o seu médico e um psicólogo, que implique a definição de um tratamento mais prolongado, com um ganho substancial para o doente".
 
Um estudo de uma universidade norte-americana, tornado público nos primeiros meses de 2020, garante que as pessoas que sofrem de retinopatia diabética, uma das várias complicações da diabetes, têm uma maior propensão para a depressão. Já uma outra investigação, levada a cabo por um organismo de saúde público de Taiwan, na Ásia, divulgada pela publicação Epidemiology and Psychiatric Sciences, alerta para a correlação entre os transtornos depressivos comórbidos e a diabetes.
 
Conheça o estudo publicado pelo Journal of Medicine and Life aqui
 
Fonte: Sapo Lifestyle

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