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Saúde
Estudo sugere intervenção de psicólogos na morte assistida
sexta-feira, 03 julho 2020 11:04
Face à despenalização da eutanásia em Portugal, vários investigadores pedem um papel mais ativo dos psicólogos nos pedidos de morte medicamente assistida.
 
Um estudo coordenado por Miguel Ricou, investigador do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), mostra que os psicólogos deverão assumir várias funções indispensáveis no contexto da morte antecipada.
 
Com base numa revisão sistemática da literatura e de uma revisão da legislação existente em vários países, os investigadores concluíram que os psicólogos serão fulcrais no aconselhamento do doente, das famílias e dos profissionais de saúde e na avaliação da competência de quem pede a eutanásia ou o suicídio assistido.
 
“Os psicólogos devem assumir um papel na avaliação da capacidade dos doentes e da consistência dos seus pedidos de morte antecipada. A decisão de morrer é irreversível e, por isso, deve corresponder à verdadeira vontade da pessoa. Deve existir o mínimo de enganos possível na avaliação de um pedido de eutanásia e suicídio assistido”, afirma Miguel Ricou.
 
No mesmo trabalho, publicado agora no International Journal of Psychology, os investigadores defendem que caberá igualmente aos psicólogos assumir o papel de “advogados dos doentes”, garantindo que as suas necessidades são atendidas, dada a responsabilidade ética dos psicólogos de “proteger a autonomia do doente e o seu direito a tomar uma decisão consciente e informada”. Miguel Ricou sublinha que os psicólogos “devem fazer a ponte entre doentes, familiares e profissionais de saúde e prestar-lhes o apoio necessário em questões emocionais e éticas”.
 
Para desempenhar todos estes papéis, o investigador considera que os psicólogos devem fazer investigação na área e receber treino especializado. “É preciso investir em estudos científicos que permitam perceber como as decisões de fim de vida são tomadas e se elas são estáveis ou se variam ao longo do tempo”, salienta.
 
Finalmente, o especialista em Bioética chama a atenção para a necessidade de conseguir influenciar a discussão da lei sobre eutanásia, de modo a assegurar a existência de equipas interdisciplinares e a efetiva participação dos psicólogos neste contexto.
 
 
Fonte: Notícias Universidade do Porto

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