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Saúde
Doentes com artrite reumatoide podem estar com medicação em excesso
sexta-feira, 03 julho 2020 12:37
Uma parte muito significativa de doentes com artrite reumatoide, doença inflamatória das articulações, pode estar com medicação excessiva devido a uma má autoavaliação da sua condição, conclui um estudo realizado por uma equipa liderada por José António Pereira da Silva, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e diretor do Serviço de Reumatologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).
 
Uma vez que ainda não há cura para a artrite reumatoide, é fundamental alcançar o estado de remissão da doença, ou seja, a ausência completa de atividade inflamatória. Para definir esse estado de remissão, um dos indicadores usados na clínica é a Avaliação Global pelo Doente (PtGA), reportada pelo doente sobre o seu estado. No entanto, este indicador depende da interpretação do doente, podendo afetar o tratamento.
 
Segundo as normas internacionais estabelecidas para o tratamento da artrite reumatoide, apoiadas pelas associações europeia e americana de Reumatologia, a remissão da doença exige que não exista mais do que uma articulação dolorosa ou inflamada e que a avaliação global pelo doente seja, no máximo, de um, numa escala de zero a 10.
 
Os investigadores quiseram analisar qual o impacto da avaliação global pelo doente na obtenção do estado de remissão em doentes com artrite reumatoide. Para tal, foi realizada um meta-análise a oito estudos nacionais e internacionais, refletindo ensaios clínicos e contextos de prática clínica corrente, com dados de 23.297 doentes.
 
Os resultados obtidos permitem concluir que a avaliação global pelo doente é “a principal causa isolada de não atingimento do estado remissão. Com efeito, apreciando os resultados destes estudos, incluindo dois da nossa autoria, concluímos que 12% dos 23.297 pacientes atingiam remissão completa, enquanto 19% a falhavam apenas pela avaliação global reportada pelo doente”, identifica José António Pereira da Silva.
 
Em linha com estudos anteriores, conclui-se que “a avaliação global pelo doente não traduz, nestas circunstâncias, a presença de inflamação persistente, antes estando relacionada com doenças concomitantes, dores de outra origem e estados depressivos”, o que se traduz na certeza de que “uma parte muito significativa dos doentes com artrite reumatoide estará a receber tratamento em excesso, se forem seguidas as recomendações internacionais”, que apontam para a reforço do tratamento e não para a circunstância que impede o atingimento do alvo terapêutico, explica o catedrático da FMUC.
 
Este estudo, distinguido no Congresso Europeu de Reumatologia 2020 insere-se num “movimento com forte impacto internacional, liderado pelo Serviço de Reumatologia do CHUC, no sentido de rever as definições internacionais de remissão e alvo terapêutico nesta importante condição clínica”, conclui José António Pereira da Silva.

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