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Saúde
Estudo sugere que grávidas com COVID-19 podem transmitir a doença aos fetos
sexta-feira, 10 julho 2020 11:32
Mães infetadas com o novo coronavírus podem transmitir o vírus aos seus filhos ainda não nascidos. É esta uma das conclusões de um estudo divulgado esta quinta-feira, dia 9 de julho, cujos autores dizem ter reunido “provas sólidas”.
 
De acordo com os investigadores da Universidade de Milão, “embora tenha havido apenas casos isolados de bebés infetados com o novo coronavírus, esses resultados demonstram o vínculo mais forte até esta quinta-feira na transmissão de mãe para filho”.
 
Após analisarem 31 mulheres grávidas hospitalizadas com COVID-19, os estudiosos encontraram o vírus SARS-CoV-2 em placentas, no cordão umbilical, na vagina e no leite materno. Os cientistas identificaram também anticorpos específicos da COVID-19 em cordões umbilicais de várias mulheres, bem como em amostras de leite.
 
Claudio Fenizia, principal autor do estudo, refere que os resultados “sugerem fortemente” que a transmissão no útero é possível: “Dada a quantidade de pessoas infetadas em todo o mundo, o número de mulheres que podem ser afetadas por esse fenómeno pode ser potencialmente muito alto”, adiantou.
 
Nenhum dos bebés nascidos durante o período do estudo contraiu COVID-19, disse, admitindo que “embora a transmissão no útero pareça possível, é muito cedo para avaliar claramente o risco e as possíveis consequências”.
 
Entre outras descobertas, os investigadores identificaram uma resposta inflamatória específica desencadeada pela COVID-19 no plasma sanguíneo da placenta e do cordão umbilical das mulheres estudadas, todas no terceiro trimestre de gravidez. Claudio Fenizia revelou ainda que estão em andamento mais estudos entre as mulheres com COVID-19 em estágios iniciais da gravidez.
 
“O nosso estudo tem como objetivo aumentar a consciencialização e convidar a comunidade científica a considerar a gravidez em mulheres com COVID-19 como um assunto urgente para caracterizar e analisar ainda mais”, declarou o investigador, sublinhando que “promover a prevenção é o conselho mais seguro que se pode dar a esses pacientes no momento”.
 
O estudo foi divulgado na 23.ª Conferência Internacional da SIDA, realizada esta semana, pela primeira vez em ambiente virtual devido à pandemia da COVID-19.
 
Recorde-se que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou no mês passado que as mães infetadas com o novo coronavírus deviam continuar a amamentar.
 
“Sabemos que as crianças correm um risco relativamente baixo para a COVID-19, mas correm alto risco para muitas outras doenças e condições que a amamentação impede”, disse na altura o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
 
A pandemia de COVID-19 já provocou mais de 550 mil mortos e infetou mais de 12 milhões de pessoas em 213 países e territórios, das quais cerca de sete mil já recuperaram.
 
Em Portugal, morreram 1.644 pessoas das 45.277 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde. Destas, 30.049 foram dadas como recuperadas.
 
A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
 
Fonte: Lusa e AFP

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